VICTOR BALTIMOR.
Olhei para Rafael como se ele delirasse. Eu nem consegui virar o corpo para os lados. Como vou conseguir me levantar?
Eu estava com receio de tentar e falhar mais uma vez. Não sou homem de falhar ou desistir, e ter feito isso foi muito humilhante para mim. Admitir antes que não conseguia foi difícil. Mas não vou dizer agora para Rafael que estou com receio.
— Acha que estou preparado para me levantar? — perguntei firme, encarando-o seriamente.
Rafael me analisou e disse:
— Senhor Baltimor, seu caso não é de lesão na coluna. O senhor só está com fraqueza. Pode se levantar perfeitamente. Então, eu acredito que deva tentar, mesmo que falhe. É tentando que alcançamos nossos objetivos. Então, não se preocupe, eu estarei aqui para te auxiliar. É normal o paciente que fica um tempo sem andar perder a confiança. Mas o senhor não tem nenhum problema que o impeça de se levantar e andar.
Ouvir suas palavras me fez ver e lembrar que meu caso não era grave. Realmente, eu já tinha sido informado de que só tinha fraqueza nas pernas. E também deveria evitar esforços por causa da insuficiência respiratória. Mas eu podia andar, bastava querer.
— Certo, então vamos tentar.
Guiei a cadeira de rodas para mais perto do sofá. Rafael chamou um dos enfermeiros, e os dois se posicionaram ao meu lado.
— Quero que coloque os pés firmes no chão, afaste um pouco os joelhos e incline o tronco para frente — ele orientou.
Obedeci.
— Agora faça força nas pernas e suba comigo no três. Um… dois… três.
No instante em que tentei levantar, senti minhas coxas queimarem. A fraqueza era absurda.
As costelas doeram, e precisei me segurar com força nos braços deles assim que fiquei em pé.
Minhas pernas tremiam.
— Isso é normal? — perguntei entre os dentes.
— Totalmente normal. Você perdeu força muscular por ficar muito tempo parado. Além disso, seu equilíbrio ainda está instável.
Ficar em pé por poucos segundos. Pareceu uma eternidade. A cabeça ficou levemente tonta. O suor surgiu na minha testa. As pernas ameaçaram querer ceder.

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