VICTOR BALTIMOR.
Na tarde daquele mesmo dia, depois da minha primeira sessão com o psicólogo, chegou a vez de enfrentar outro tipo de batalha.
Se a sessão da manhã mexeu com a minha mente, a fisioterapia tratou de me mostrar a realidade do meu corpo. Eu estava ansioso. Talvez ansioso demais.
Na minha cabeça, eu já me via dando os primeiros passos em poucos dias, deixando aquela cadeira para trás e retomando minha rotina. Mas bastaram os primeiros minutos na sala de reabilitação para eu entender que não seria tão rápido e nem tão fácil.
Montaram um espaço de reabilitação para mim, em um dos diversos cômodos que havia aqui no térreo. Era uma sala ampla, silenciosa, que dava para o jardim e era muito bem equipada. O que me surpreendeu. Com certeza, minha noiva estava por trás disso também. Eu ficava impressionado com como Elisa conseguia pensar em tudo, tendo tanta coisa para lidar. Ela, a cada dia, me encantava mais e me dá certeza de que ela é a mulher da minha vida.
Havia barras paralelas, uma maca, bolas terapêuticas, faixas elásticas, um espelho grande na parede e alguns aparelhos que eu ainda nem sabia para que serviam.
O fisioterapeuta se apresentou como doutor Rafael, um homem de postura calma e olhar atento. Ele puxou uma cadeira e sentou-se à minha frente antes de começarmos.
— Senhor Baltimor, hoje não vamos trabalhar seus passos, ainda. Primeiro, preciso avaliar como seu corpo está reagindo depois da cirurgia intracraniana, das costelas fraturadas e dos dias em repouso.
Franzi a testa.
— Então não vou sair andando daqui hoje? — Perguntei debochado.
Ele sorriu de leve, paciente.
— Hoje, o foco é preparar seu corpo para que isso aconteça com segurança.
Aquilo me irritou por dentro. Eu queria resultados. Queria sair dali andando. Mas permaneci em silêncio.
Ele começou com exercícios respiratórios.
— Inspire devagar pelo nariz e tente expandir o tórax sem forçar demais. Depois, solte o ar pela boca lentamente.
— O que isso vai me ajudar? Eu quero poder ficar de pé e andar com firmeza, não fazer natação.
Ele me olhou paciente.
— Essa parte é essencial para evitar rigidez no tórax, melhorar a expansão pulmonar e impedir complicações depois de tantos dias de repouso. As costelas fraturadas precisavam cicatrizar, mas o pulmão e a musculatura respiratória não podiam ficar preguiçosos. Tudo que faremos é para sua melhora e tem seu papel.
— Está bem. — Respondi. Vamos ver no que isso vai dar.
— Então vamos lá? Quero que o senhor inspire devagar pelo nariz, enchendo o pulmão sem forçar demais a caixa torácica, e solte o ar lentamente pela boca.
Pareceu simples. Obedeci, mas não era.
Na segunda respiração profunda, senti a pontada nas costelas e precisei cerrar o maxilar para não demonstrar o quanto aquilo ainda doía. Mas Rafael percebeu.
— Está doendo?
— Um pouco demais para algo tão simples — respondi, irritado.
Ele assentiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.