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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 26

ELISA RIVER.

Cheguei em casa, mas a minha mente ficou no hospital, com Melissa.

Naquele quarto frio demais para uma criança. No som constante dos aparelhos. E pensei no pai dela, lá sozinho agora, tentando — ou fingindo tentar — ocupar um espaço que sempre evitou. Será que ele vai saber cuidar dela se acordar?

Larguei a bolsa em qualquer lugar e caminhei até o banheiro como se estivesse no automático. A edícula, parecia silenciosa demais, vazio demais. Abri o chuveiro e deixei a água quente cair sobre mim, escorrendo pelos cabelos, pelo rosto, pelos ombros tensos. Queria lavar o cansaço, a raiva, a preocupação. Queria desligar a mente. Não consegui.

Encostei a testa na parede fria do boxe e fechei os olhos. E, como se tivesse vontade própria, a lembrança surgiu. O beijo.

O jeito como Victor se aproximou, a fração de segundo em que pareceu hesitar, como se ainda pudesse parar. O momento em que não parou.

O choque inicial, a intensidade, o calor. A pressão do corpo dele contra o meu. Minha respiração falhando. Meu corpo reagindo antes da razão, antes do juízo, antes da consciência. Correspondendo antes que eu tivesse tempo de pensar, de avaliar, de frear.

Eu havia gostado. Gostado mais do que deveria. A constatação me irritou. Me assustou. Me envergonhou.

Aquele beijo tinha acendido algo perigoso dentro de mim. Uma chama que eu não queria alimentar, mas que insistia em existir. Inspirei fundo, irritada comigo mesma, tentando apagar aquela sensação com água quente e força de vontade. Eu estava confusa.

Confusa com meus sentimentos em relação a ele. Confusa com o desejo que ainda insistia em existir, mesmo depois de tudo. Por um instante, pensei naquela noite que tivemos juntos. No sexo. Na conexão inesperada. Em como seria fácil repetir.

Por que não?, cheguei a me perguntar. Mas a resposta veio rápido demais. As palavras dele. A história da Melissa.

O acordo financeiro. O dinheiro como solução. A frieza com que falou sobre a própria filha. A possibilidade de um aborto, dita com uma naturalidade que me embrulhou o estômago.

Tudo aquilo caiu sobre mim como um balde de água gelada. Ali, eu conheci o Victor de verdade.

Não apenas o homem arrogante, controlador e distante, mas alguém capaz de colocar o poder acima de tudo. Acima da própria filha. Capaz de pagar para mantê-la longe. Capaz de transformar uma criança em um problema político.

A decepção doeu mais do que eu esperava.

Eu realmente tinha acreditado que, por trás da frieza e da postura autoritária, existia um homem melhor. Imperfeito, difícil, mas ainda assim humano. Descobrir aquela parte cruel me deixou desnorteada.

Saí do banho sentindo o peso de cada pensamento. Vesti qualquer roupa confortável e sentei-me na beira da cama por alguns segundos, encarando o nada.

Minha decisão de ficar, de aceitar aquela mentira e continuar naquele emprego, já estava tomada. Era pela Melissa.

Eu não podia deixá-la sozinha com um pai emocionalmente ausente, negligente e perdido dentro das próprias ambições. Alguém precisava colocá-la em primeiro lugar. Dar lhe amor e carinho.

Ainda assim, uma parte de mim não conseguiu ignorar a surpresa quando Victor disse que ficaria no hospital para que nós descansássemos.

Será que ele estava mudando?

Balancei a cabeça, afastando a ideia antes que ela criasse raízes. Era domingo. Ele não trabalhava. Claro que ficaria. Isso não significava redenção. Não significava transformação.

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