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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 25

VICTOR BALTIMOR.

Elisa saiu do escritório e me deixou para trás, com a sensação de ser o pior dos seres humanos. Ela estava certa. Eu nunca me importei de verdade com Melissa. Nunca a quis. E ouvir aquilo em voz alta, vindo dela, doeu mais do que eu estava disposto a admitir.

Demorei alguns minutos antes de sair. Não sei exatamente por quê. Talvez para evitar aquele olhar decepcionado. Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, eu não soubesse como sustentar o próprio reflexo.

Por que diabos eu estava me importando com o que aquela babá pensava de mim?

Isso só podia ser falta de sexo. Pensar em sexo foi um erro. A imagem do nosso beijo surgiu com força, inesperada, e meu corpo reagiu imediatamente. Merda. Apertei o passo, tentando afastar qualquer pensamento inútil, e segui em direção à ala pediátrica.

Encontrei minha mãe e Elisa caminhando pelo corredor, acompanhando O médico. Minha mãe me viu e abriu um sorriso aliviado.

— Que bom que chegou, Victor. O doutor Mauro estava nos levando para ver a Melissa. Ele liberou as visitas e o acompanhamento.

Senti um alívio imediato. E algo mais, estranho, difícil de nomear. Apenas assenti, tentando esconder o que estava sentindo.

Olhei para Elisa, mas ela parecia não dar a mínima para a minha presença. Passou por mim como se eu fosse invisível.

Seguimos o doutor em silêncio. Quando entramos no quarto e vi minha filha, uma agonia apertou meu peito. Pequena demais. Frágil demais. Conectada a fios e aparelhos que pareciam grandes demais para o corpo dela. Só agora percebi que o medico estava certo, Melissa estava bem abaixo do peso para uma criança de cinco meses. Como pude negligenciar minha filha? Me senti culpado por ser um péssimo pai.

Elisa caminhou apressada até a cama, e não hesitou. Pegou a mãozinha de Melissa e começou a falar com ela, num tom baixo, doce, cheio de cuidado. Aquela delicadeza me atingiu em cheio. Minha mãe passou a mão pela cabecinha da neta, com os olhos marejados. Aproximei-me com cautela, como se não tivesse certeza de que pertencia àquele espaço.

— Doutor, quando a infecção será curada e minha filha receberá alta? — perguntei. Mauro me lançou um olhar sereno.

— Ainda é cedo para afirmar qualquer coisa. Mas o fato de a febre ter cedido é um excelente sinal. Um grande avanço. Agora é aguardar a evolução. Estou confiante de que a Melissa vai se recuperar rápido. Em breve, poderá receber alta.

Assenti, satisfeito com a resposta. Ainda assim, havia uma inquietação no meu peito. Algo que não combinava com alívio nem com medo. Era novo. E desconfortável.

O médico saiu, deixando-nos sozinhos no quarto. Após alguns minutos, sentei-me no sofá, ao lado da minha mãe. Elisa ocupou a poltrona junto à cama de Melissa.

O tempo passou em silêncio.

Quando amanheceu, Elisa dormia encostada na lateral do berço hospitalar. Minha mãe estava recostada em mim, também adormecida. Acordei-a com cuidado.

— Mamãe, vá para casa descansar — murmurei. — Leve a Elisa com você. Eu fico com a Melissa.

Minha mãe me olhou, surpresa. Depois sorriu, contente. Ela se levantou e foi acordar Elisa.

— O que houve? A Mel piorou? — perguntou Elisa, assustada, olhando ao redor.

— Está tudo bem — disse minha mãe, tocando seu ombro. — A Melissa está dormindo. Vim acordá-la para irmos para casa. Precisamos descansar um pouco.

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