VICTOR BALTIMOR.
— De que está falando?
— Lhe enviei um link, senhor — disse nervoso.
Afastei-me alguns passos e saí do quarto da minha filha. Quando cheguei ao corredor, encostei perto da janela, na parede fria. Desbloqueei o celular enquanto ele continuava falando.
— Tem fotos, e muitas. Há manchetes. Sites grandes já publicaram.
Abri o primeiro link que ele me enviou e senti o sangue ferver.
A imagem ocupava a tela inteira. Eu e Elisa, do lado de fora do hospital. Minha mão segurando a dela. O rosto dela estava abatido, os olhos baixos. A minha expressão era calma, arrependida e gentil — porque era exatamente isso que eu estava sentindo naquele momento.
A legenda abaixo parecia gritar:
“O PRIMEIRO-MINISTRO ESCONDE NOVA NAMORADA E FILHA?”
Rolei a tela. Outra manchete:
“Romance secreto? Mulher misteriosa acompanha Victor Baltimor em hospital pediátrico.”
E, mais abaixo, o golpe baixo:
“Fontes afirmam: criança seria fruto de relacionamento sigiloso.”
— Filho da puta… — rosnei entre dentes.
Eu sabia exatamente de onde aquilo havia vindo. Afonso.
Aquela maldita cobra não perdeu tempo. Não queria provas nem verdade. Queria insinuar, espalhar dúvida, jogar a opinião pública contra mim. E havia feito isso da forma mais eficiente possível: misturando Elisa e Melissa na mesma frase.
— A repercussão está crescendo rápido — Pablo continuou. — Já está nos trending topics. E… — ele hesitou — o líder do partido está tentando falar com o senhor.
Como se tivesse sido invocado, meu telefone vibrou novamente. O número era conhecido.
— Ele está ligando agora — avisei, atendendo.
A voz do outro lado veio controlada, política demais para aquele horário.
— Victor, preciso que seja direto comigo. Essa história é verdadeira? Podemos dar um jeito, se for.
Fechei os olhos por um segundo.
— Não é o momento de discutir isso por telefone — respondi. — Vamos conversar pessoalmente.
— Melhor — ele disse. — Gostaria de uma reunião ainda hoje, se possível.
— Meu assessor entrará em contato quando for possível marcar.
Desliguei antes que ele dissesse mais alguma coisa. Meu maxilar estava travado. Aquilo não era só um escândalo. Era uma ameaça real ao meu terceiro mandato. O líder do partido eu resolveria depois. Meu dinheiro mantinha o partido; ele não iria querer me ver longe. Não seria um problema.
Voltei para o quarto de Melissa e me sentei, tentando me controlar. Eu preciso resolver logo essa merda. Não quero que respingue na minha filha, agora que resolvi ser um pai para ela.
Pablo chegou ao hospital menos de vinte minutos depois. Apareceu na porta apressado, o semblante sério, o tablet debaixo do braço.
— Precisamos agir rápido — disse. — Negar tudo pode piorar. Silêncio também. Se dissermos que não existe filha, vão perguntar quem é a criança. Se dissermos que existe, vão querer saber quem é a mãe e depois o pai.
— Eu sei — respondi, passando a mão pelo rosto. — Estamos encurralados.
Saímos do quarto, pois ali não era lugar para discutir esse assunto. Não queria incomodar a recuperação de Melissa. Chegamos à sala de espera da área VIP do hospital.
Foi então que minha mãe se aproximou, agitada.
— Victor, eu vi as notícias.
— Eu vou resolver, mãe. Não se preocupe — comentei. Ela assentiu, não disse mais nada e foi ficar com Melissa.
Pablo e eu ficamos discutindo soluções para aquela crise, mas nenhuma daria certo. Eu já estava ficando irritado. Vi minha mãe chegar; ela não disse nada. Os minutos passavam, e nada de solução. Minha mãe observava tudo em silêncio. Seus olhos atentos, experientes, nos analisavam.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.