ELISA RIVER.
Eu estava assustada, nervosa e irritada. Um turbilhão de emoções que não me deixava respirar direito. Andava de um lado para o outro na edícula, sem conseguir me concentrar em nada, sem saber o que fazer. Aqueles urubus agora sabiam quem eu era. Minha identidade estava exposta, meu nome jogado aos leões. Em pouco tempo, iriam revirar minha vida inteira, procurar falhas, inventar histórias e distorcer cada passo que dei até aqui.
Maldita hora em que cruzei o caminho de Victor Baltimor. Toda essa merda era por causa dele.
Ceci havia desligado a ligação, mas antes tentou me acalmar. Disse que o tio resolveria tudo, que eu não precisava me preocupar, que ele sabia lidar com crises. Mas eu estava preocupada. Gente pobre como eu sempre se ferra nessas histórias. O poderoso se protege, o fraco vira dano colateral.
Já perdi tudo uma vez. Vi minha vida desmoronar por decisões de pessoas más. E agora, quando finalmente tinha uma nova chance, quando estava reconstruindo algo sólido e novo, isso acontecia.
Respirei fundo e decidi me arrumar para voltar ao hospital. Precisava ficar perto da Mel. Ela era o único ponto de calma no meio daquele caos. Pensar nela me ancorava, me fazia lembrar por que eu estava ali e o que realmente importava.
Depois de pronta, abri a porta da edícula decidida a sair, mas fui impedida pela presença inesperada do senhor Átila.
— Bom dia, senhorita Elisa.
— Bom dia, senhor Átila — respondi, já sentindo a tensão se formar no peito. — Aconteceu alguma coisa?
— O senhor Baltimor pediu para que a senhorita não vá até o hospital e permaneça em casa.
Fiquei parada, encarando-o, confusa.
— A senhorita já viu as notícias?
Suspirei. Claro que ele se referia àquela mentira, à invenção de que Victor e eu estávamos juntos.
— Infelizmente, vi aquele absurdo.
— Pois bem — continuou ele, educado, mas firme. — O senhor Victor informou que jornalistas e fotógrafos estão concentrados na frente do hospital. Não é uma boa ideia a senhorita aparecer por lá agora.
Meu corpo inteiro reagiu. Só em pensar em ser abordada por aqueles urubus.
— Mas e a Mel? — rebati de imediato. — Eu preciso cuidar dela. Não posso ficar aqui trancada enquanto ela está naquele hospital. Eu não tenho nada a esconder.
Bem, pensando bem, eu tinha, graças a Victor que inventou que eu era mãe de Melissa. Agora eu estava mergulhada naquela mentira.
— Senhorita, o senhor Victor sabe lidar com esse tipo de situação e de gente — respondeu com calma. — O melhor é ouvi-lo.

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