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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 29

ELISA RIVER.

Eu estava assustada, nervosa e irritada. Um turbilhão de emoções que não me deixava respirar direito. Andava de um lado para o outro na edícula, sem conseguir me concentrar em nada, sem saber o que fazer. Aqueles urubus agora sabiam quem eu era. Minha identidade estava exposta, meu nome jogado aos leões. Em pouco tempo, iriam revirar minha vida inteira, procurar falhas, inventar histórias e distorcer cada passo que dei até aqui.

Maldita hora em que cruzei o caminho de Victor Baltimor. Toda essa merda era por causa dele.

Ceci havia desligado a ligação, mas antes tentou me acalmar. Disse que o tio resolveria tudo, que eu não precisava me preocupar, que ele sabia lidar com crises. Mas eu estava preocupada. Gente pobre como eu sempre se ferra nessas histórias. O poderoso se protege, o fraco vira dano colateral.

Já perdi tudo uma vez. Vi minha vida desmoronar por decisões de pessoas más. E agora, quando finalmente tinha uma nova chance, quando estava reconstruindo algo sólido e novo, isso acontecia.

Respirei fundo e decidi me arrumar para voltar ao hospital. Precisava ficar perto da Mel. Ela era o único ponto de calma no meio daquele caos. Pensar nela me ancorava, me fazia lembrar por que eu estava ali e o que realmente importava.

Depois de pronta, abri a porta da edícula decidida a sair, mas fui impedida pela presença inesperada do senhor Átila.

— Bom dia, senhorita Elisa.

— Bom dia, senhor Átila — respondi, já sentindo a tensão se formar no peito. — Aconteceu alguma coisa?

— O senhor Baltimor pediu para que a senhorita não vá até o hospital e permaneça em casa.

Fiquei parada, encarando-o, confusa.

— A senhorita já viu as notícias?

Suspirei. Claro que ele se referia àquela mentira, à invenção de que Victor e eu estávamos juntos.

— Infelizmente, vi aquele absurdo.

— Pois bem — continuou ele, educado, mas firme. — O senhor Victor informou que jornalistas e fotógrafos estão concentrados na frente do hospital. Não é uma boa ideia a senhorita aparecer por lá agora.

Meu corpo inteiro reagiu. Só em pensar em ser abordada por aqueles urubus.

— Mas e a Mel? — rebati de imediato. — Eu preciso cuidar dela. Não posso ficar aqui trancada enquanto ela está naquele hospital. Eu não tenho nada a esconder.

Bem, pensando bem, eu tinha, graças a Victor que inventou que eu era mãe de Melissa. Agora eu estava mergulhada naquela mentira.

— Senhorita, o senhor Victor sabe lidar com esse tipo de situação e de gente — respondeu com calma. — O melhor é ouvi-lo.

Quando cheguei ao andar do quarto dela, percebi uma movimentação incomum. Homens passavam apressados pelo corredor, carregando caixas, equipamentos, suportes metálicos. Entravam e saíam do quarto ao lado do dela com eficiência silenciosa.

Parei na porta e espiei.

Estavam montando um mini hospital ali. Monitores, suportes de soro, equipamentos médicos que eu só havia visto em hospitais. Tudo limpo, organizado, funcional.

Aquilo me deixou impressionada e, ao mesmo tempo, apreensiva. Victor era poderoso e estava usando esse poder para proteger a filha. Ou se proteger.

Me afastei, sentindo um aperto estranho no peito, e entrei no quarto da Melissa. O ambiente estava silencioso, suave, quase sereno demais para tudo o que acontecia do lado de fora.

Comecei a arrumar suas coisinhas com cuidado. Esse quarto ficava tão vazio, sem os choro e resmungos de Mel.

As horas passaram e logo a tarde chegou. Ouvi barulho de um helicóptero e fui até a janela e vi um, pousando no gramado dos fundos. Observei quem estava chegando e arregalei os olhos quando vi Victor descer e em seguida Melissa ser tirada numa maca que parecia uma incubadora. Saiu correndo do quarto, Mel estava chegando.

Quando cheguei do lado de fora, senhor Átila e alguns funcionários, aguardavam no quintal dos fundos. Victor se aproximava seguido pela equipe médica e Mel numa incubada. Fui apressada até eles, mas Victor me parou.

— Não se aproxime da minha filha. — Disse com frieza.

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