VICTOR BALTIMOR.
Meu reflexo foi mais rápido do que o pensamento. Segurei-a pela cintura antes que o corpo dela encontrasse o chão. O impacto foi evitado por centímetros. Elisa ficou rígida nos meus braços, respirando curto, os olhos arregalados pelo susto — e pela proximidade.
— Viu só? Eu disse para não se levantar sozinha, disse para ter cuidado. Sua teimosa — falei, a voz mais dura do que eu pretendia, o coração ainda disparado.
— Eu só tropecei por sua causa. Se não estivesse tão perto e ocupando meu espaço, não teria tropeçado — respondeu, me olhando irritada. Acho que ela estava certa.
— Eu só estava te protegendo — falei, tenso.
— Eu não preciso que me proteja. Agora pode me soltar — respondeu de imediato, tentando se afastar, mas sem força suficiente para isso.
Não a soltei, não por teimosia. Por medo. Senti um nó se formar na minha garganta, quando a imaginei caída, machucada, sangrando de novo.
— Você quase caiu — insisti. — Está vendo? É por isso, que sou cuidadoso.
— Eu tropecei, Victor. Só isso — rebateu, irritada, mas a voz falhou no final. — Não sou inválida.
— Eu não disse isso.
— Disse com cada gesto desde que saí daquele hospital — ela retrucou, finalmente conseguindo se afastar de mim. — Com cada ordem. Cada correção. Cada “não faça isso”.
Respirei fundo. Estava tentando não perder o controle. Tentando aprender um jeito novo de existir ao lado dela. Mas era difícil quando tudo em mim gritava alerta.
— Eu tenho medo de perdê-lo e te perder na sequência — falei, baixo.
Ela congelou.
— Nosso bebê está seguro — disse, mas já não havia tanta irritação em sua voz.
— Achei que tinha perdido você quando te vi inconsciente. Achei que tinha perdido nosso filho. Isso não some da minha cabeça só porque você quer fingir que está tudo normal.
O silêncio se instalou entre nós de novo. Denso. Carregado. Ela desviou o olhar primeiro.
— Eu não estou fingindo — murmurou. — Eu só não posso viver como se estivesse quebrada, como se uma simples respirada minha pudesse colocar meu filho em risco.
Aquela frase me incomodou.
— Eu não quero que você viva assim — respondi, mais calmo. — Eu só… não sei ainda como cuidar sem parecer que estou te sufocando.
— Sei que você está com medo e não sabe lidar com esse sentimento novo. E acaba me superprotegendo. Mas precisa entender que estamos bem. Que só precisamos evitar esforço físico e estresse. O que você não vê é que suas atitudes não estão ajudando. Não percebe que é você que está me estressando a cada minuto, desde que acordei naquele hospital?
Ela me olhou de novo. Pela primeira vez desde que saímos do hospital, sem raiva pura nos olhos. Havia cansaço. Medo. E algo mais contido ali. Me senti culpado e muito mal, por lhe fazer se senti assim, Não era minha intenção. Eu precisava mudar, mas não sabia como, talvez ela saiba.

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