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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 68

VICTOR BALTIMOR.

As vinte e quatro horas de cuidados no hospital não terminaram quando Elisa recebeu alta. Elas continuaram. No jeito como eu a observava. No cuidado excessivo. Na necessidade quase obsessiva de ter tudo sob controle. E, claro, isso gerou conflito. Muito conflito.

Elisa não nasceu para ser vigiada e controlada. E eu não sei cuidar sem ter controle.

Na volta para casa, bastou eu insistir para carregá-la no colo para ela explodir. Não foi um bom início, mas eu não vou desistir de cuidar dela e do nosso filho. Fui trabalhar e a deixei aos cuidados da minha mãe. Sei que ela vai cuidar bem de Elisa e dos nossos filhos. Resolvi que era melhor não conversar naquele dia sobre o noivado. Elisa estava um pouco impaciente comigo, e eu não queria estressá-la com esse assunto. Então achei melhor deixar para outro momento.

Eu estava feliz em saber que seria pai de novo e cada vez que disse nosso filho, sentia um sentimento bom.

Tentei evitar conflito, mas sabia que não seria fácil. Pois quando Elisa soubesse que eu dormiria com ela no seu quarto, não iria gostar.

Eu sabia que aquela conversa não seria fácil. Nada com Elisa era simples. Mesmo assim, entrei no quarto decidido, naquela noite, após me preparar para dormir. Ela já estava deitada quando fechei a porta atrás de mim. Melissa dormia tranquila no berço.

— O que você quer? — Perguntou, de olhos fechados, sendo iluminada pela luz do abajur.

— Como sabia que era eu? — perguntei, surpreso.

— Seu perfume é forte. — Disse com desdém. Revirei os olhos, pois eu sabia que ela adorava meu cheirinho bom.

— Então você me reconhece pelo meu cheiro? Bom saber.

Elisa bufou.

— Diga o que quer e vai embora, eu estava quase dormindo. — Reclamou ainda de olhos fechados, nem se dando o trabalho de me olhar. Insolente.

— Vou dormir aqui esta noite com você, na cama — comuniquei, direto.

Ela abriu os olhos no mesmo instante, como se eu tivesse tocado num nervo exposto, e me olhou.

— O quê?

Cruzei meus braços.

— Vou dormir no quarto. Se você passar mal durante a noite, preciso estar perto. E se Melissa acordar, eu posso ajudar, para não precisar se levantar.

— Não — respondeu imediatamente. — Nem pensar.

Eu já esperava resistência.

— Elisa, isso não é negociável.

Ela se sentou na cama, devagar, com cuidado.

— Victor, você não vai dormir no meu quarto. Preciso de espaço. Já basta você me vigiar o dia inteiro.

— Isso não é vigilância — rebati. — É cuidado.

— Não mesmo — ela disparou. — Eu não pedi esse tipo de cuidado.

Dei um passo à frente.

— Você desmaiou. Sangrou. Está grávida — mantive a voz baixa, firme. — Eu não vou ficar do outro lado da casa enquanto você pode precisar de ajuda. Você não pode ficar se levantando toda hora para cuidar de Melissa.

— E eu não vou dividir quarto com você. E você não sabe cuidar da Mel — respondeu baixo, sem hesitar.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Incômodo. Passei a mão pelos cabelos, andando pelo quarto.

— Então, o que você quer? — perguntei, irritado. — Que eu fique sentado no corredor a noite inteira?

— Pouco me importa onde você vai ficar essa noite. Eu quero dormir sozinha — disse, a voz mais contida, evitando acordar Melissa. — Sem você me observando enquanto durmo. Sem essa pressão.

— Você sabe que eu não vou conseguir fechar os olhos sabendo que você está aqui sozinha.

— Esse não é um problema meu — respondeu, fria. — É seu.

Parei. Respirei fundo.

— Está bem. Eu não vou dormir na sua cama — falei, finalmente. Sorri de lado. — Durmo no sofá.

Ela arqueou a sobrancelha.

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