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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 100

Naquela mesma noite o telefone tocou na mansão Bellucci.

Theo atendeu, sem entender muito bem quem poderia ser.

— Alô?

Do outro lado, a voz que ele menos queria ouvir.

— [Theo, meu querido. Como você está?]

A voz fria e doce de Victoria ecoou pelo telefone.

Theo sentiu o estômago revirar.

A madrasta nunca o chamava assim.

— O que você quer? — perguntou, já irritado.

— [Que maneira mais rude de falar com sua mãe, Theo…] — disse ela, com um ar teatral.

— [Depois de tudo o que eu vivi, depois de tantos anos lutando… finalmente vou voltar a andar. Consegui um dos melhores cirurgiões da Europa. E sabe o que é mais incrível? Consegui sozinha.]

Fez uma pausa breve: — [você devia estar feliz por mim. Ou será que até isso é demais pedir ao próprio filho?]

Enzo apertou o punho.

― "Você não é minha mãe." ― pensou. Mas não disse nada.

— [Liguei para avisar que estou voltando para casa. Só queria dividir minha alegria com vocês.] — continuou ela.

Theo sentiu um calafrio.

― "Ela vai 'voltar' a andar?" ― Theo sabia que a história do acidente era estranha, e antes da viagem seu irmão já a tinha visto de pé. Aquela cirurgia parecia mais uma peça de teatro.

— [Avise seu pai, ele não está me atendendo, nem retornando as minhas ligações] — disse Victoria.

Antes de Theo responder, ela desligou.

Ele ficou parado por um tempo, segurando o telefone com força.

Isso não era bom.

Victoria estava voltando… e a última coisa que ele queria era vê-la manipulando o pai de novo.

Ele precisava contar aos irmãos. E avisar ao pai também.

A noite parecia ter engolido o fôlego da casa.

Theo ainda segurava o telefone, mesmo depois do sinal de chamada encerrada. Os dedos estavam dormentes, o peito comprimido. A voz de Victoria ainda ecoava como um veneno recente — doce, controlada, ameaçadora.

Ela ia voltar. E não só voltar. Ia andar. Circular. Observar.

Dante cruzou os braços, o olhar distante, refletindo com seriedade:

— Tem algo que a bloqueia, irmão… alguma razão que a impede de admitir o que sente, de assumir o que ele é.

Fez uma pausa, como se estivesse reunindo as palavras certas:

— A gente precisa descobrir o que é. Só então vamos conseguir ajudá-la de verdade.

O silêncio se instalou novamente entre os quatro.

Theo baixou os olhos para as próprias mãos, perdido nas lembranças. Reviveu o momento em que ela o abraçou, com o rosto delicadamente acolhido entre seus dedos. Lembrou-se do jeito como ela encostou a cabeça em seu peito — e, principalmente, do beijo silencioso que deixou em sua testa.

Pela primeira vez, ele sentiu que aquele abraço era só dele.

Aquela mulher era sua mãe — não apenas biologicamente falando, mas ali, naquele instante real. E, diferente de tantas outras vezes, ela o envolveu como "Theo", não como um reflexo dos irmãos, não como um substituto.

Nos olhos dela, ele viu um afeto que era exclusivamente seu.

Foi como se, finalmente, tivesse encontrado seu lugar no mundo. E essa sensação de pertencimento — tão rara, tão intensa — foi o sentimento mais bonito que ele já havia experimentado em toda a sua curta vida.

Antes que pudessem continuar a conversa, o telefone fixo tocou. Havia uma extensão ali mesmo. Theo lembrou que estava sozinho — a governanta estava de folga, e os únicos na casa eram os cuidadores do avô, que nunca atendiam às ligações.

Theo atendeu. E ali, o reencontro emocional com Dayse perdeu espaço para um novo e perigoso capítulo.

Victoria.

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