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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 71

"Alguns abraços não são apenas gestos — são mapas. E certos reencontros não curam o passado, mas abrem caminhos para que o coração, enfim, encontre morada." — Do diário de uma mãe que nunca deixou de amar

...

Enquanto isso, do outro lado da cidade, em um apartamento simples e cheio de vida, Dante e Gael riam alto enquanto ensinavam Theo a usar o micro-ondas.

― É só apertar aqui, viu? Agora é só esperar! ― explicava um, enquanto o outro já abria o armário em busca de sal para a pipoca. Entre risadas e vozes que se misturavam, eles discutiam quem tinha mais amigos, quem era melhor em alguma coisa que, no fundo, nem importava tanto assim.

Theo, sentado no canto, observava tudo bem quietinho. Mas, por dentro, algo pulsava — uma sensação nova e quente. Liberdade. Família. Risadas sem medo. Pela primeira vez, ele começou a pensar que talvez, só talvez, o mundo pudesse ser mais leve do que ele imaginava.

Ele ainda não tinha visto a mãe. Ela estava numa reunião com empresários e parecia que só chegaria bem tarde naquele dia. Talvez só pudesse encontrá-la no dia seguinte.

...

No dia seguinte, os três acordaram cedo e foram à padaria como sempre fazem...

Os passos de Theo ecoavam pelo corredor do prédio, como se estivessem em câmera lenta, como se o tempo tivesse desacelerado só para ele. Ao seu lado, Dante e Gael caminhavam atentos, discretos, mas sem invadir o espaço que parecia envolver Theo como uma bolha delicada.

No ar, havia algo diferente — uma tensão que não precisava de palavras para ser percebida, uma vibração sutil que unia os três irmãos naquele momento.

Theo segurava o saco de pão com firmeza, mas sua cabeça estava longe dali. Ainda não tinha visto a mãe, que chegou tarde na noite anterior.

Era madrugada quando ela chegou. Ele já estava dormindo, e mesmo assim, a lembrança do toque dela permanecia vivo em sua memória: o beijo suave na testa, o gesto cuidadoso de ajeitar o cobertor sobre ele, como se quisesse protegê-lo de algo invisível.

Theo não precisou abrir os olhos para imaginar que, depois disso, ela foi até o quarto dos irmãos, repetindo aquele mesmo ritual silencioso, quase como uma oração.

Enquanto caminhava, cada passo parecia um mergulho em um território desconhecido, como se o chão sob seus pés pudesse desaparecer a qualquer momento. Theo sentia um peso estranho, algo que não sabia nomear, mas que o fazia olhar para frente com uma determinação que não combinava com sua idade.

Finalmente, ele iria ver sua mãe cara a cara. Ao seu lado, Dante e Gael permaneciam silenciosos, mas estavam ali — como pilares invisíveis que o sustentavam sem precisar que ele pedisse. Cada passo parecia uma aventura, como se estivesse pisando em incertezas e emoções que ainda não tinha palavras para expressar. Tudo levava até aquele momento: ele ia finalmente encontrar sua mãe.

Era a primeira vez que a veria em carne e osso, sentiria seu cheiro e seu calor. Nunca tinha visto uma foto ou ouvido uma lembrança dela contada, porque seu pai nunca falava sobre ela.

E, durante toda aquela semana, viveria no lugar de Noah — assumindo um papel que não era dele, mas carregando o peso de um desejo comum.

Depois disso, seria a vez dos outros dois irmãos ocuparem a mansão Bellucci, revezando-se para que cada um pudesse, enfim, conhecer o pai. Era um acordo silencioso, quase um ritual, cheio de promessas de respostas — e quem sabe, de pertencimento.

Dante, sempre tão confiante, colocou a mão no ombro de Theo. O toque era firme, mas carregava uma ternura que só irmãos conseguem expressar sem palavras.

Ele inclinou levemente a cabeça, os olhos brilhando com uma confiança que parecia inabalável, e disse com um sorriso meio encorajador e cúmplice:

— Relaxa. Você vai amar nossa mãe. Pode ir na frente que a gente entra logo depois.

Theo respirou fundo, tentando acalmar a tempestade que rugia dentro dele.

Ele concordou com a cabeça, mantendo a expressão controlada, como sempre fazia. Mas, por dentro, algo tremia — não de medo, mas de uma expectativa intensa, quase palpável.

Sabia que, ao passar por aquela porta, tudo ia mudar.

Dentro dele, parecia um caos silencioso, um redemoinho que ameaçava engoli-lo por completo. O coração de Theo batia tão forte que tinha a impressão de que as batidas ecoavam pelo corredor vazio.

Quando a porta do apartamento se abriu, foi como passar por um portal para outro mundo. O aroma acolhedor de café fresco passando no coador, o som suave das panquecas chiando na frigideira e o delicado perfume de lavanda que parecia envolver cada cantinho do espaço pequeno criavam uma sensação de lar.

Um contraste quase cruel com os corredores frios e impessoais da mansão Bellucci, onde o silêncio era tão pesado quanto o mármore que revestia as paredes.

Antes que Theo pudesse sequer compreender o que estava sentindo, ela o abraçou com tanta força que parecia querer consertar as partes dele que estavam fora do lugar. Havia algo de eterno naquele gesto, como se ela tivesse esperado por ele por várias vidas.

― Noah, meu amor... ― A voz dela era um sussurro trêmulo, carregado de emoção, quase se desmanchando sob o peso de tudo o que ainda não tinha sido dito. Ela se afastou só um pouco para olhar nos olhos dele, mas não soltou o abraço.

— Vocês trouxeram o pão? Onde estão seus irmãos? — a pergunta era simples, do jeito que a gente costuma fazer no dia a dia. Mas, por trás dela, tinha um peso que Theo não soube como responder. Parecia que, naquele momento, o mundo inteiro tinha se resumido àquele pequeno apartamento, àquele abraço e àquele instante tão delicado e, ao mesmo tempo, tão valioso.

Theo ficou parado, sem saber bem o que fazer.

Ela o abraçou com uma intensidade quase dolorosa, como se tivesse medo de que ele pudesse desaparecer a qualquer momento. Seus lábios beijaram suavemente seu rosto, enquanto suas mãos deslizaram pelos cabelos dele e repousaram sobre o peito, como se precisasse se convencer a cada toque de que ele estava ali — real, vivo, presente.

Mas Theo permaneceu imóvel, como uma estátua que não sabe como reagir a tanto carinho. Nunca tinha sentido algo assim antes. Nunca tinha sido tocado com tanta delicadeza, com um amor tão sincero e despretensioso, sem máscaras ou artifícios.

Seus braços ficaram presos ao lado do corpo, e o peito dele parecia uma fortaleza que não queria abrir mão de seu espaço. Para ele, aquele gesto, tão natural para outras pessoas, era algo completamente desconhecido — um mundo inteiro que ele ainda não sabia como explorar.

Dayse percebeu a tensão nos ombros dele e a hesitação no olhar. Com uma voz suave e cheia de carinho, ela perguntou:

— Está tudo bem, meu amor? — Seus dedos acariciaram delicadamente o rosto dele, como se quisessem apagar qualquer sombra de dúvida ou medo que pudesse estar lá dentro.

Theo piscou várias vezes, tentando entender essa avalanche de emoções que o dominava. Sua garganta parecia apertada, e o peso no peito quase o sufocava. Ele tentou sorrir, mesmo que tímido e inseguro, como se fosse a primeira vez que se permitia abrir um pouco mais para alguém.

— Sim, mã... Mamãe... Só estou cansado — respondeu Theo, surpreso com a rouquidão na própria voz. A palavra "mamãe" saiu dos seus lábios com uma estranheza que ele não esperava sentir.

Dayse sorriu de um jeito doce, uma expressão que parecia iluminar o ambiente, sem se importar com a hesitação na voz do filho.

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