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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 72

"Algumas paixões não nascem com alarde — elas florescem no silêncio entre uma lembrança esquecida e um olhar que insiste em permanecer. E, quando florescem, não pedem licença: apenas tomam tudo." — Dos instantes em que o coração decide pensar por si.

Desde a última reunião, Enzo Bellucci não conseguia tirar Dayse Lancaster da cabeça. Mas não era só pela atração evidente que sentia — havia algo mais nela que o desafiava, o provocava, o atraía.

Um incômodo sutil, uma sensação de ‘déjà vu’ que não o deixava em paz, como um véu invisível que a tornava ao mesmo tempo fascinante e um pouco inquietante. Era como se ela carregasse uma sombra leve, um segredo difícil de revelar.

Mais do que tudo, ele sentia que precisava entender aquilo. A sensação crescia dentro dele, forte e insistente, puxando-o para mais perto dela, como se fosse inevitável.

Seu instinto, sempre afiado nos negócios, dizia que ela era um mistério a ser desvendado.

Pegou o telefone, sua voz soando firme e decidida ao ligar para sua secretária.

— Agende uma reunião com a CEO da Lancaster Holdings. Quero fechar uma parceria com eles.

Do outro lado da linha, a assistente hesitou por um instante, ela percebeu a tensão na voz dele, quase imperceptível, mas presente.

— Para quando, senhor Bellucci? Alguma data em mente?

Sem pensar muito, ele respondeu na hora, a urgência transbordando antes que pudesse controlá-la.

— Tente o mais rápido possível e me avise assim que acertar uma data com ela.

Encerrou a chamada com um sentimento de determinação renovada, mas a inquietação não passou — pelo contrário, só aumentou.

Ela parecia se espalhar pelo seu corpo, silenciosa, difícil de conter.

Não era só sobre negócios ou estratégias comerciais. Era algo mais profundo, uma sensação que ele não conseguia nomear, mas que pulsava sob a superfície como um chamado que não podia ignorar.

Seu coração, que sempre foi tão controlado, acostumado com ritmos calculados, agora batia descompassado — urgente, desafiante.

Havia uma mudança ali. E, por mais que tentasse racionalizar, ele não conseguia fugir dela.

Dayse Lancaster.

Ela despertava nele um desejo que nunca tinha sentido antes — intenso, visceral, uma vontade mais forte do que qualquer outra busca já o havia levado.

Ela não era só uma mulher que inspirava seus sonhos; ela fazia com que ele quisesse ser digno deles. E essa descoberta o deixava mais inquieto do que qualquer coisa.

"Paixões verdadeiras não gritam — apenas florescem, dominam e se tornam inescapáveis." — Diário de D.

Pela primeira vez, Enzo estava disposto a ir além de seus limites — não por estratégia ou ambição, mas por algo que o consumia de dentro para fora.

A certeza era esmagadora, mas a lógica? Essa falhava completamente.

Enzo não entendia aquela atração repentina, insistente, como um instinto que pulsava sob a pele. Na presença dela, algo se abria dentro dele — como se portas há muito trancadas finalmente cedessem.

O mais assustador não era o desejo de estar com ela, mas a sensação de que Dayse sempre estivera ali pronta, esperando por ele.

Seu nome girava em sua mente como um sussurro incansável, uma melodia impossível de calar.

Não era apenas sobre ela. Era sobre ele também. Um chamado silencioso, como um fio invisível capaz de guiá-lo para fora do labirinto em que se perdera.

...

Seu pensamento voltou a outro capítulo da sua vida, marcado por escolhas que nunca foram totalmente suas.

Victoria.

O casamento deles nunca foi baseado em amor.

Foi uma construção cuidadosa de Victoria — uma fachada, uma farsa, algo construído sobre aparências.

Victoria soube jogar bem suas cartas.

No momento em que Dayse partiu e ele ficou sozinho com Theo, ela se aproximou com a promessa de cuidar do bebê.

E ele, tonto e ressentido, acreditou nela; parecia a solução mais racional.

Mas agora, ao olhar para trás, ele via o erro.

Durante os dez anos de casamento, ele evitou se envolver profundamente com outras mulheres.

Não por fidelidade.

Nem por qualquer sentimento que tivesse desenvolvido por ela.

Mas por um senso de dever, que o impediam de constranger Victoria.

Ela prometeu cuidar de Theo como se fosse seu próprio filho. Prometeu amá-lo. Mas hoje ele sabe que não passou de palavras vazias.

Foi preciso que o próprio Theo o alertasse. O menino viu primeiro, sentiu primeiro. Só então Enzo começou a prestar atenção de verdade, observando os movimentos dela, tentando entender o que antes se recusava a enxergar.

Até que, certo dia, sem qualquer aviso, ele viu com os próprios olhos como ela tratava Theo — de forma distante, fria, com aquele silêncio pesado que só a falta de afeto consegue causar. E aquilo doeu. Era como se o menino não fosse nada para ela. E ele, parado ali, sentiu o peso dessa ausência como um soco no estômago.

Victoria desabou em lágrimas quando confrontada, como se cada palavra fosse um golpe em sua já frágil fortaleza emocional. Entre soluços, confessou que sua saúde mental estava em ruínas, um caos que ela mesma mal conseguia compreender.

Prometeu buscar ajuda, mas, mais uma vez, recorreu às marcas invisíveis deixadas pelo acidente como justificativa para suas ações e reações.

Enzo, por sua vez, sentiu o peso da situação e, talvez por empatia ou por medo de feri-la ainda mais, adiou novamente a conversa séria que há tempos pairava entre eles como uma tempestade prestes a desabar, mas que, no fundo, ambos sabiam ser inevitável.

"Quando o silêncio se prolonga demais, até o amor vira suspeita. Até o cuidado parece dívida." — Diário de D.

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