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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 4

À noite, a cena se repetiu. Luna a buscou no quarto e a conduziu até a sala de jantar menor — que, na verdade, era tão grande quanto toda a casa dos Antonelli.

Uma mesa de madeira maciça no centro, dois lugares postos com talheres de prata e taças de cristal. Velas acesas, luz amena, pratos requintados.

O ambiente era suavemente iluminado por abajures e candelabros discretos, projetando sombras cuidadosas sobre cada detalhe. Quase acolhedor…, mas apenas para quem não soubesse olhar além das aparências. Para Dayse, aquilo era uma peça meticulosamente montada, um cenário criado para parecer algo que nunca seria real. Um teatro.

Enzo já estava lá, instalado como se fosse parte do próprio ambiente, uma taça de vinho repousando entre seus dedos. Nem se deu ao trabalho de levantar quando ela entrou — apenas indicou a cadeira à sua frente com um gesto preciso.

— Sente-se.

Ela o fez. Não por obediência, mas por estratégia, às vezes, aceitar o jogo era a única forma de aprender suas regras.

O jantar chegou sem cerimônia, colocado diante deles com a precisão de um ritual.

Pratos impecáveis, ingredientes sofisticados, uma apresentação que poderia ter encantado qualquer olhar menos treinado. Mas para Dayse, tudo aquilo era insípido. Bonito na superfície, vazio na essência. E engolir qualquer coisa naquela noite… seria mais difícil do que parecia.

Dayse segurou os talheres por um momento, mas a comida parecia ter gosto de silêncio. A cada garfada, era como mastigar um vazio denso, uma ausência palpável que se espalhava pelo peito.

Do outro lado, Enzo ‘jazia’ ... calado e imóvel — E aquilo… aquilo doía mais do que se ele tivesse escolhido ser cruel. Porque a indiferença é um veneno lento. E Dayse sabia disso melhor do que ninguém.

Enzo permaneceu inerte durante todo o jantar. Não a encarava diretamente. Não fazia perguntas. Não mostrava interesse. Estava ali como quem cumpre uma obrigação contratual.

Por um tempo, apenas o som dos talheres preenchia o espaço. Dayse não sabia se aquilo era um teste, uma tortura psicológica ou apenas o jeito dele.

Ela também não falou.

Aquilo não era um encontro. Era a entrega simbólica de uma função.

Quando o jantar terminou, ele falou com a precisão de quem dita regras:

— A partir de amanhã, você começará o protocolo médico. Os profissionais virão até a propriedade. Não será necessário sair.

Dayse ergueu o olhar, deixando escapar uma provocação que parecia mais um desafio disfarçado:

— É sempre assim que você… se relaciona com suas esposas?

Enzo pausou, observando-a por cima da taça de vinho, como quem avalia se a pergunta merece uma resposta.

— Eu não tenho esposas. Só tenho este acordo com você.

A resposta veio seca, calculada, como um golpe de precisão. Mas havia algo mais ali, algo que escapava à superfície. Um cansaço que parecia pesar em seus ombros, ou talvez um desprezo que ele não se preocupava em esconder.

Dayse não conseguiu decifrar. Mas sabia que, por trás daquela frieza, havia algo mais profundo. Algo que ele não deixaria transparecer tão facilmente.

Dayse largou os talheres com uma calma calculada, cruzando os braços sobre a mesa, como quem se prepara para um duelo silencioso.

— Entendo. Então serei tratada como um item do inventário Bellucci. Até que cumpra meu prazo de validade?

Enzo se recostou na cadeira, a postura impecável, a expressão impenetrável.

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