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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 58

"Ninguém nota o momento exato em que o castelo começa a ruir. Mas eu sempre vejo a primeira rachadura." — Diário de D.

...

O Projeto Vértice Verde era o grande destaque da temporada. Um contrato milionário, cheio de ambição e significado. A proposta da prefeitura de Belo Horizonte combinava sustentabilidade, reurbanização e inclusão social — um novo jeito de pensar o desenvolvimento urbano, muito cobiçado por grandes empresas do setor. Normalmente, quem levava a melhor nessas disputas era a Bellucci Corporation, que tinha peso pelo nome, influência e tradição.

Mas, desta vez, as coisas tinham mudado.

...

Na sede da Lancaster Holdings, Dayse estava sentada à mesa com Renata e três especialistas em contratos públicos. A sala, que geralmente é mais dinâmica, parecia pesada — como se o ar estivesse mais difícil de respirar. Cada respiração carregava uma ponta de tensão no ambiente.

Ela quebrou o silêncio com uma fala sutil, sem precisar elevar a voz.

Seus olhos encontraram os de Renata e, naquele instante, a sala parecia ganhar uma energia diferente. Cada palavra de Dayse soava como uma promessa de mudança, um compromisso com um futuro mais justo e sustentável. A troca de olhares e gestos entre os presentes refletia a importância daquele momento, onde cada detalhe carregava significado e expectativas ocultas.

— Como estamos indo? — perguntou, com o olhar percorrendo todos ali, buscando mais do que respostas: queria sentir segurança e convicção.

Renata foi a primeira a falar. Ela trocou um olhar rápido com os especialistas antes de responder, com a voz firme, embora carregada de uma leve preocupação.

— Bem, já entregamos toda a documentação. Nossa proposta está bem estruturada e a técnica alinhada às expectativas do edital.

Dayse assentiu lentamente, mas não deixou de absorver cada palavra, mantendo-se atenta.

— E quanto às métricas sociais? — murmurou, como se essa questão fosse o coração do que torna a Lancaster diferente das demais.

Um dos consultores respondeu com precisão:

Demos grande destaque às métricas sociais — como de costume — cumprindo as exigências da nova legislação e indo além: propusemos, inclusive, ferramentas de monitoramento público. Não deixamos margem para impugnações. Esse é o nosso diferencial.

"Eles constroem cercas com cifras. Eu planto raízes com ideias." — Diário de D.

Por um instante quase imperceptível, tudo ao redor pareceu suspenso — como se o tempo hesitasse diante do peso daquela última informação. O ar se adensou ao redor de Dayse, e um arrepio percorreu sua espinha, misturando adrenalina e desafio. Aquilo acendeu sua determinação. Não era mais apenas uma disputa; agora, estavam frente a frente como adversários diretos em uma batalha que poderia decidir tudo.

Dayse fechou os olhos por um instante. Precisava conter o turbilhão antes que ele transbordasse.

Aquilo não era só uma proposta. Era uma linha sendo traçada. Um desafio. Uma provocação.

— E... a Bellucci está concorrendo, como esperado — disse Renata, por fim.

O nome caiu como uma pedra no lago silencioso da sala.

Dayse não reagiu de imediato. Apenas abriu os olhos devagar, e neles, algo havia mudado. O olhar estava mais duro. Firme.

Um arrepio percorreu sua espinha, como um sinal de que o jogo havia mudado.

Agora, não era mais uma disputa técnica. Era pessoal. Um ajuste de contas em forma de estratégia.

"Voltar para o mesmo campo de batalha é doloroso. Mas desta vez, não vim desarmada." — Diário de D.

Dayse ficou imóvel por um instante, sem demonstrar nenhuma emoção. Com um gesto calmo, virou a última página do relatório. O som do papel deslizando parecia quase cerimonial, carregado de significado. Cada movimento dela era cuidadosamente pensado, cada respiração controlada, enquanto sua mente trabalhava a todo vapor, buscando estratégias e possibilidades.

Ela sabia que não podia se dar ao luxo de fraquejar. Este era o momento de mostrar sua força, de provar que estava à altura do desafio.

― Qual é o diferencial da nossa proposta? ― perguntou Dayse, com a voz firme, mas controlada, como quem escolhe bem cada palavra para não revelar mais do que o necessário.

— Transparência total, inovação de verdade e impacto social bem documentado — respondeu Renata, sem hesitar. Havia uma confiança na sua voz que parecia preencher a sala.

Dayse sorriu com os olhos, fixando seu olhar em Renata com uma mistura de segurança e desafio.

― Enquanto a Bellucci se apoia na tradição e nos números frios, nós entregamos propósitos reais — continuou Renata, em um tom baixo, quase um sussurro, que carregava uma promessa.

Fez uma breve pausa.

— E propósitos verdadeiros sempre encontram eco.

"No fim, ninguém se lembra de quem teve o maior saldo. Mas de quem mudou mais vidas." — Diário de D.

O silêncio voltou a tomar conta do ambiente, mas desta vez era diferente. Era carregado de uma tensão quase palpável, como se todos soubessem que o jogo tinha mudado. As peças tinham sido reposicionadas, e a verdadeira batalha ainda estava por começar. Dayse fechou a pasta com um movimento suave, deixando que o silêncio preenchesse a sala como uma prova de sua confiança firme e inabalável.

...

Na comissão de avaliação, cinco membros se debruçavam sobre pilhas de documentos, atentos a cada detalhe. Mas a proposta da Lancaster saltava aos olhos.

Diagramas dinâmicos, dados claros e acessíveis, métricas verificáveis — e, acima de tudo, vídeos de projetos já executados na Europa. Era possível ver comunidades transformadas, ouvir vozes reais de gratidão, acompanhar bairros inteiros renascendo diante da câmera.

Não era apenas papel. Era prova viva de resultado.

Naquela conversa, dor e vingança se misturavam nas palavras dela. É verdade que aquilo ainda não se comparava ao que tinham tirado dela.

Mas um dia, eles devolveriam o que lhe roubaram ― o seu filho.

E quando isso acontecer, eles vão saber que perderam os outros três, isso irá aniquilá-los.

...

Na mesma manhã, na imponente sede da Bellucci Corporation, a notícia caiu como um raio em céu limpo.

Enzo mal teve tempo de processar — a expressão do coordenador já dizia tudo antes mesmo das palavras chegarem.

— A Lancaster Holdings ganhou o contrato do Vértice Verde? — Sua voz saiu mais alta do que pretendia, misto de surpresa e incredulidade.

O coordenador confirmou com a frieza de quem sabe o peso da mensagem que carrega.

— Por unanimidade. Técnica e social. Não houve margem para recurso.

Por um instante, o silêncio tomou a sala. Mas dentro de Enzo, o barulho era ensurdecedor, o desconforto crescia dentro dele.

Ele se recostou na cadeira, os olhos fixos em um ponto qualquer, mas vendo muito além. O maxilar cerrava e relaxava, como se lutasse contra um pensamento perigoso demais para ser dito.

Aquilo ia além de negócios. Aquela proposta não era só estratégica. Tinha algo pessoal ali. Quase íntimo. Como se cada página carregasse veneno e precisão.

— Essa empresa vai nos dar trabalho — murmurou, mas o que realmente queria dizer era: essa empresa parece nos conhecer por dentro.

E por trás da intuição que o alertava, uma pergunta começou a tomar forma, sombria e persistente: Quem está por trás da Lancaster... e o que exatamente ela quer tirar de mim?

...

Na sala ao lado, Lorenzo Bellucci ouvia tudo em silêncio, apoiado na bengala. O velho magnata, que já tinha o hábito de identificar ameaças antes mesmo delas aparecerem, sentiu um tremor sutil — mas profundo — começando a balançar os alicerces do império Bellucci.

— Descubram quem é D. Lancaster — ordenou, com a voz firme.

"Eles querem saber quem sou. Vão descobrir. Mas não no tempo deles. No meu." — Diário de D.

Mas já era tarde demais para tentar controlar a situação. A mão que movia as peças já estava dentro do jogo, e não havia mais como tirá-la do tabuleiro.

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