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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 62

“Às vezes, é preciso atravessar um salão inteiro sem tremer os cílios, mesmo que o coração esteja em ruínas por dentro. Porque há guerras que se vencem com a postura. Outras, com o silêncio. E quase todas, com memória.” — Diário de D.

...

As portas principais do evento se abriram com a precisão de um momento decisivo — e o salão, até então cheio de vozes e taças tilintando, mergulhou em um silêncio de expectativa. Parecia que todos ali, mesmo sem entender exatamente por que, sentiam que algo tinha mudado no ar.

Todos os olhares se voltaram para a figura que entrava com uma confiança quase hipnótica.

Dayse Lancaster atravessava o espaço como se fosse uma profecia se realizando.

O som ritmado dos seus passos sobre o mármore ecoava na cabeça de quem observava, como uma coreografia bem ensaiada. Não havia pressa, mas havia força. A luz dos lustres acariciava sua silhueta e parecia desenhar, com reverência, a mulher que todos ali precisavam notar.

Ela tinha uma postura que não precisava pedir licença para existir — simplesmente existia, e isso já era suficiente para o mundo ao redor se reorganizar.

Era o começo de uma nova fase. Para os negócios. Para o jogo. Para ela.

Ela não estava ali apenas como CEO.

Estava ali como um aviso.

Naquele salão de elite, rodeado de rostos influentes e sorrisos cuidadosamente planejados, os grandes nomes do mercado se reuniam para traçar o futuro. Era uma noite perfeita para fechar negócios e construir impérios.

E entre esses rostos importantes... apenas um fez o tempo parecer vacilar.

Enzo Bellucci.

Sentado na primeira fila, com ombros largos sob um terno impecável, ele parecia estar no controle de tudo. Mas seus olhos... seus olhos traíram essa calma.

Por uma fração de segundo, o tempo pareceu desacelerar. Seu mundo se estreitou até que tudo se resumisse à mulher que acabara de entrar.

Uma sensação de inquietação cruzou seu peito como uma lâmina sem corte.

— Quem é ela? — pensou, quase em voz alta, tentando agarrar uma lembrança que se desfez antes mesmo de se formar.

Era a segunda vez que se cruzavam. E, mais uma vez, aquela sensação o atingiu.

— Por que ela me parece tão familiar?

Dayse percebeu o olhar dele. E não piscou. Naquele momento, Enzo era só mais uma peça no jogo que ela controlava com maestria.

Ela estava pronta, muito mais do que ele imaginava, muito além do que jamais suspeitara. Mas por dentro, o coração pulsava forte, com uma força antiga, quase selvagem.

Ao subir ao palco, ela se movia com a precisão de uma peça de xadrez no momento decisivo. Cada passo era uma afirmação de que ela tinha chegado ali por mérito, estratégia — e também por dor. Pegou o microfone como se fosse uma extensão de si mesma e, ao falar, sua voz não precisou exigir respeito. Ela o evocou com simplicidade:

— Boa noite. Estar de volta ao Brasil é mais do que um prazer — é um ato de construção. Olhar para esta plateia é enxergar a possibilidade de um novo tempo.

Ela não precisava elevar a voz para ser ouvida; sua presença já comandava silêncio. Seu tom carregava anos de aprendizado solitário, noites em claro, lutas que ninguém ali teria coragem de imaginar. Ela era acolhedora, mas ao mesmo tempo inalcançável.

Enzo não conseguia desviar o olhar. Tentava entender por que aquela mulher o despertava de dentro para fora. Havia algo em seu rosto... ou talvez na sua ausência de fragilidade. O perfume que flutuava no ar parecia familiar demais. Como se já o tivesse sentido antes de perder algo importante.

Ele a acompanhava com o olhar, como se buscasse entre seus gestos uma lembrança que escorregava pelos dedos. Enzo a observava com atenção demais, mais do que um simples interesse corporativo. Seu olhar percorria a silhueta dela, mas havia algo além disso, como se seus sentidos captassem algo que sua mente ainda não conseguia entender. Tinha algo naquela mulher que desestabilizava sua lógica.

Ela era... alguém que ele conhecia, ou ao menos deveria ser. Mas sua mente, treinada para perceber detalhes, não conseguia decifrar o enigma.

Quando Dayse terminou a apresentação, o público ao redor se aproximou — elogios, cumprimentos, propostas. Mas seu olhar permaneceu atento.

Enzo Bellucci estava olhando para ela. O jeito dele era como uma interrogação silenciosa, um emaranhado de dúvidas que ele ainda não tinha conseguido entender completamente. Ele a observava, mas não tinha certeza do que realmente via — uma lembrança disfarçada de presente? Um fantasma vestido de realidade?

Ela percebia isso.

Ele estava perdido.

E isso era mais forte do que qualquer contrato assinado.

Era exatamente o que ela queria.

...

Na lateral do salão, Enzo se inclinou na direção do seu assistente, com a expressão de quem tinha sido derrotado sem entender exatamente quando perdeu a batalha.

— Marcelo, marque uma reunião nossa com a CEO da Lancaster Holdings. O mais rápido possível.

— Imediatamente, senhor — respondeu Marcelo, já começando a organizar tudo.

...

A manhã seguinte nasceu clara e ensolarada, com um céu azul intenso e um pouco cruel, como se o universo insistisse em iluminar cada detalhe do reencontro que estava por vir.

A sala de reuniões da Bellucci Corporation era imponente. Madeira escura, vidro polido e aço fosco — tudo ali transmitia história, poder e tradição. Mas, no instante em que a porta se abriu...

...

Tudo mudou.

O ritmo dos seus saltos preenchia o ambiente com uma cadência quase hipnótica. Ela não caminhava apenas — impunha sua presença.

Capítulo 62 — O Reencontro Inevitável 1

Capítulo 62 — O Reencontro Inevitável 2

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