Rhys estava treinando com outros machos, dando diretrizes e, quando todos se calaram e ele sentiu o cheiro de Lucretia, sua cabeça se virou rapidamente.
Ela estava de calça jeans, blusa simples, sapato, mas os cabelos presos em um rabo-de-cavalo lhe garantiam um visual despojado e jovial, refrescante. Ela estava lindíssima, e o único problema era: Rhys não foi o único a ter essa percepção.
Ele soltou um rosnado baixo e começou a caminhar na direção de Lucretia. Ela parou de andar, sem entender o motivo de ele parecer tão irritado. A mão de Rhys foi direto para o braço dela, levando-a para um corredor e, enfim, através de uma porta, que se fechou assim que eles entraram.
— O que é isso? — Lucretia perguntou, acariciando o braço onde Rhys tinha agarrado.
— Eu que pergunto! O que veio fazer aqui? Causar distúrbio no treinamento?
— Oi? Do que tá falando? Vim falar com você! Não fiz nada além de entrar aqui! — O olhar de dor em Lucretia fez Rhys parar de se mexer. — Eu sou tão indesejada e indigna que nem mesmo posso entrar no centro de treinamento? Ou mesmo procurar por você? Ontem mesmo estava dizendo que nos casaríamos…
Ele chegou até ela em duas passadas e a beijou, prendendo-a contra a parede.
— Eu não quis dizer…
— Então por que me agarrou daquele jeito? — Lucretia empurrou o peito dele, mas Rhys não se moveu. — Não vamos resolver isso com sexo!
Rhys fez um beicinho.
— Tem certeza? Eu posso ser muito persuasivo durante essa atividade. — Ele sorria de lado, mas como Lucretia não desfez a carranca, ele parou. — Podemos fazer isso depois. Sobre o que quer falar, afinal?
— Por que me tratou assim? Vamos começar por aqui. Não era esse o assunto, mas agora é!
Rhys suspirou.
— Será que eu te dei liberdade demais, Lucretia? Tá toda cheia da coragem, fica me questionando!
—Responde! — ela pediu e Rhys levantou a mão e usou o polegar para enxugar uma lágrima que queria descer.
— Eu não gostei dos outros te olhando, foi isso. — Ele respondeu. — Te falei que não divido. E não estava brincando.
Ela suspirou.
— Eu não fiz nada de errado. E você machucou a mim.
Rhys segurou o braço de Lucretia com cuidado e olhou para as marcas dos dedos dele, que logo sumiriam. Ele se inclinou e beijou a pele, o que pegou Lucretia de surpresa. Tanto que ela prendeu a respiração.
— Não estamos casados. Eu…
Ele a segurou pela cintura e a levantou, prendendo-a contra a parede de novo.
— Se esse é o problema, então nos casaremos agora mesmo. Porra! — ELe beijou Lucretia, que não resistiu. — Você é minha e vai ficar aqui!
Lucretia sentia como se a reação de Rhys fosse mais do que posse.
“Não, não se engane. Ele quer apenas poder. Só isso.”
— Não vou ficar lá para sempre. Depois que nos casarmos, terei que ir e vir. Rhys, não haja como se fosse uma novidade.
Ele olhou para o lado, com uma enorme cara fechada.
— Não gosto disso. Não gosto de você longe dos meus olhos!
— Eu ainda sou a sua escrava, Rhys? — ele a encarou, dessa vez. — Sou?

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