— Eu lembro muito bem, Rhys. E não vou voltar atrás na minha promessa. — Lucretia disse com convicção.
— Excelente.
Eles comeram sem mais falar e, no final, Lucretia pediu licença para ir ao banheiro. Ela foi e, quando retornou à mesa, Rhys não estava lá.
— Aqui. — Ela deu um pulo quando ele falou perto do ouvido dela.
— Por Selene! — Lucretia levou a mão ao peito.
— Vamos. A conta já está paga.
No meio do caminho para casa, Rhys parou o veículo e colocou Lucretia no banco traseiro, de quatro.
— Agora sim, jantar completo! — Rhys disse, já se ajeitando atrás do volante.
No dia seguinte, Lucretia foi arrumar as coisas dela. Pela hora do almoço, Rhys fez questão de comer com ela, só os dois, na varanda do quarto dele.
— Amanhã de manhã eu vou para o LongFang. — Ela disse e Rhys assentiu.
— É, infelizmente. Eu vou te levar, ok?
— Não precisa…
— Lucretia! — Rhys a interrompeu. — É mais seguro. Tanto no caminho quanto se me verem com você. Isso vai firmar ainda mais a certeza de que nosso relacionamento é sério. E, assim, você enfrentará menos problemas.
Rhys não era idiota, ele sabia que uma vez que um rumor começava circular, mesmo depois de se esclarecer as coisas, algumas pessoas continuavam a se agarrar às mentiras, como desculpa para obrarem mal. E Lucretia, aos olhos de muitos, não passava de uma traidora. Podiam não gostar de Rhys, mas não mexeriam com a mulher dele.
Ele tirou o restante do dia de folga para poder ficar com Lucretia. Para os membros do próprio bando dele, ele também precisava mostrar que Lucretia seria a Luna. Então, como um bom macho apaixonado, Rhys passaria mais tempo com ela.
[“Não é como se você estivesse fazendo algum sacrificio, não é mesmo?”] Embry perguntou, debochadamente, e Rhys o mandou se calar. [“Eu posso ficar calado, mas isso não siginifica que não seja verdade. Você tá doidinho pra ficar com ela o tempo todo. Pode mentir pros outros, não pode mentir pra mim.”]
Rhys não deu ouvidos ao que Embry tinha a dizer e pensou, só para ir contra, levantar e deixar Lucretia sozinha. Mas não conseguiu. Ela o olhou e sorriu e foi tudo o que precisou para que Rhys desistisse de ir para qualquer lugar.
Corrado não estava satisfeito em como as coisas estavam sendo feitas, porque era evidente que Rhys não estava aberto a ele. E, sendo assim, o controle sobre Lucretia ficava comprometido. Mas agora, ele não podia voltar atrás. Deidra não seria uma boa opção, não agora, pelo menos. Ele só podia esperar que o Alfa do ShadowBlood fosse mais receptivo e, assim, Corrado conseguiria uma elevação no status dele frente aos outros Alfas.
O carro foi estacionado e Rhys percebeu como Lucretia estava hiperventilando. Nem ela percebia como estava parecendo, só conseguia sentir o ar sendo tirado dos pulmões dela. Não importava o quanto ela inspirava, não parecia ter ar suficiente.
A mão quente de Rhys segurou a dela, conseguindo a atenção dela.
— Se acalma. — Ele falou. — Vamos entrar e ninguém vai te perturbar, ok? A sua irmã duas caras… não se preocupe com ela. Não acho que ela vá te constranger.
Esse não era o medo de Lucretia, e sim o que Deidra poderia fazer por baixo dos panos. Ela sempre foi uma serpente sorrateira, desde que eram mais novas. Desde que a garota colocou os pés no bando, a vida de Lucretia se tornou um inferno. E Corrado, cego pela paixão por Jeane, tomava o lado da filha bastarda.
Lucretia queria rebater, mas o olhar de Rhys era como um apoio silencioso, mas potente, e ela sorriu, assentindo com a cabeça, e ele abriu a porta do carro, dando a volta para poder ajudá-la a descer, como um verdadeiro cavalheiro.
Rhys se colocou na frente dela e levantou a mão, pegando uma mecha do cabelo dela que flutuava no ar, colocando-a então atrás da orelha de Lucretia, sorrindo docemente para Lucretia. Então, a expressão dele mudou e Lucretia percebeu que ele estava ficando hostil.
— Finalmente você chegou, Lu!

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