Ela devolveu o papel e a caneta para Cael Castro:
— Eu bati no carro. Meu cunhado é Gustavo Guimarães, do Grupo Guimarães. Se houver algum problema, pode entrar em contato com ele, e ele o indenizará.
Ela falou de forma direta e sem rodeios. Em seu tom indiferente havia uma ponta de arrogância. Assim que terminou, virou-se e foi embora.
Era a primeira vez que Cael Castro passava por uma situação daquelas. Ele olhou pelo retrovisor para o homem sentado no banco de trás.
O rosto austero do homem não demonstrava emoção, o maxilar estava tenso, e em suas pupilas escuras e profundas parecia haver desagrado.
Ele murmurou timidamente:
— Sr. Jordão...
Essa cena foi vista por alguém em outro carro. O homem no banco do motorista era o jovem mestre da família Ximenes, Thiago Ximenes.
Ele encarou Sabrina por um longo momento. Tendo certeza de que não se enganara de pessoa, pegou o celular, empolgado, preparando-se para fazer uma ligação.
No banco de passageiro, havia uma mulher com roupas sedutoras. A acompanhante inclinou-se de modo charmoso, tomou-lhe o celular e, fazendo beicinho, disse:
— Thiago, estando comigo, para quem mais você vai ligar?
Thiago era de uma família de prestígio, mas também era um verdadeiro playboy. Trocava de acompanhante na mesma velocidade com que trocava de roupa.
Ele era bonito e charmoso, e nunca economizava dinheiro com as mulheres. Por isso, muitas aceitavam de bom grado ser a sua mulher, nem que fosse por apenas um dia.
A acompanhante, naturalmente, não o deixaria ligar, com medo de que no dia seguinte ele a descartasse.
Assim, cada segundo que passava ao seu lado precisava ser vigiado de perto, para que outra não o roubasse.
Thiago viu Sabrina entrar no carro e virou-se para pedir o celular à acompanhante:
— Me dê o celular, rápido.
A mulher percebeu a situação:
— Você conhece aquela mulher?
— Conheço, e muito bem. — Thiago tomou o celular da mão dela, procurou alegremente o número de Gustavo Guimarães e hesitou por um momento com o dedo sobre o botão de chamada.
Se ele não estivesse enganado, o carro em que Sabrina bateu era de Antônio Jordão.
Havia uma ponta de regozijo na voz de Thiago. Gustavo permaneceu calado, esperando a continuação.
Thiago não esperou que ele perguntasse e relatou tudo o que acabara de acontecer.
Após ouvir, Gustavo não teve grande reação, apenas murmurou um "Entendi".
Thiago ficou muito insatisfeito com essa reação e fez questão de enfatizar que o outro envolvido era Antônio Jordão.
Em Alvorada, não havia quem não soubesse quem era Antônio Jordão. Aos vinte e dois anos, entrou no mundo dos negócios e, aos vinte e quatro, assumiu o cargo de CEO do Grupo Zenith, tornando-se um destaque no mundo empresarial.
Suas propriedades eram vastas, monopolizando quase todas as artérias econômicas de Alvorada.
Agora com apenas vinte e oito anos, sua fortuna já era incalculável.
Qualquer um familiarizado com os negócios sabia que Antônio Jordão era implacável e decisivo, e que, em momentos críticos, usava métodos fulminantes. Era alguém com quem não se devia criar inimizades.
Thiago falou num tom de quem buscava crédito:
— Como sou um ótimo amigo, já reservei um camarote para você no Hotel Palácio.

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