POV: HAPHEL
— O que faz na minha casa? — Dei um passo para trás, em alerta, mantendo o olhar firme nele.
Ele não respondeu. Apenas inclinou levemente a cabeça, me observando com atenção exagerada. As narinas dilataram como se estivesse sentindo meu cheiro.
Que porra era aquilo?
— Você está com medo de mim. — A voz dele veio baixa, controlada. Fria. — Por quê?
— Por que você mentiu? — Apontei o dedo, sem desviar os olhos. — Você não é nenhum investigador. E, sinceramente, não faço ideia de quem você seja.
Peguei o celular, com as mãos trêmulas.
— Tem um minuto para me dizer o que realmente quer, ou chamo a polícia agora.
Um sorriso lento se formou no canto de seus lábios. Notei o brilho sutil de presas afiadas. A língua passou devagar, como se estivesse se divertindo com a minha reação.
— Eu vim por você, Haphel. — Ele arqueou a sobrancelha, o tom dourado dos olhos escureceu com um reflexo acobreado. — É assim que me recebe?
Engoli em seco, sentindo a respiração pesar. As palavras demoraram a sair.
— Fo... foi você? — Gaguejei a pergunta, os olhos marejados. — Você matou minha mãe?
Sua postura ficou mais rígida. As veias saltaram no braço forte, os ombros se ajeitaram com precisão, as mãos foram para o bolso como se ele tivesse todo o tempo do mundo. O olhar dourado me atravessou. Arrogante. Intenso. Perigoso.
— Veio para me matar também? — cerrei os dentes, dando um passo à frente. — Responde, seu desgraçado!
Ele sorriu de lado. Calmo demais.
— E se for, Haphel... o que vai fazer?
A voz dele continha um tom grave, rouco, com um rosnado baixo no final. Ele avançou um passo. Dei dois para trás, sentindo meu corpo ficar em alerta. Olhei ao redor, esperando qualquer movimento.
— Vai correr como uma covarde... ou vai me enfrentar? Vingaria sua mãe?
— Por quê...? — murmurei, com a voz falhando. Mordi o canto da boca, tentando segurar a raiva e a decepção. — Por que me ajudou naquele dia... se a intenção era me matar também? Eu... confiei em você!
— Haphel... — Meu nome saiu lento de sua boca, a voz desceu uma nota, grave, carregada de perigo.
Antes que eu pudesse reagir, ele rompeu a distância entre nós com um movimento rápido demais, impossível para um humano comum. Agarrou meu pulso com firmeza, puxando meu corpo para mais perto. O toque dele era quente, dominador, controlado até demais.
— Solta... — tentei recuar, mas ele nem se mexeu.
Seus dedos subiram devagar pelo meu braço, pressionando sutilmente, arrepiando, até alcançar o celular que eu ainda segurava. Com calma irritante, ele o tirou da minha mão e desligou a chamada com um simples toque.
— Não deveria confiar em estranhos. — Ele se inclinou um pouco, o rosto perto demais, o hálito quente roçava em meu rosto. — Seus pais nunca te ensinaram isso?
— Fica longe de mim! — gritei, erguendo a mão com raiva e acertando um tapa direto em seu rosto.
Ele fechou os olhos no impacto, mas a cabeça nem se mexeu. Nem um centímetro.
Quando abriu os olhos de novo, o ar ao redor pareceu mudar. As pupilas estavam dilatadas, com um contorno selvagem em dourado intenso e traços amarelados. Uma linha vertical cortava o centro da íris, como se algo dentro dele estivesse prestes a explodir.
Ele soltou meu pulso devagar. Eu deveria ter recuado. Deveria ter corrido. Mas meu corpo travou por um segundo.
— Você não é humano... — Constatei em completo choque.


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