Beatriz ficou no hotel por dois dias sem sair. Ela estava ocupada contatando compradores para vender as ações da Vanguard Tech.
No terceiro dia, a recepção do hotel a avisou para pagar as diárias; quando foi pagar, descobriu que o saldo do cartão estava insuficiente.
O cartão adicional que Arthur havia dado para ela também havia sido bloqueado.
Ela tirou o número de Arthur da lista de bloqueio e ligou.
— Arthur, que direito você tem de mexer no dinheiro do meu cartão?
Antes, ela havia usado o computador de Arthur para fazer uma transferência pelo banco online e não havia escondido a senha.
Por isso, no instante em que o dinheiro sumiu, soube que foi ele quem fez.
— Beatriz, todo o dinheiro que você tem fui eu que dei; se você quer terminar, não leva nem um centavo que pertence a mim.
— Ah!
Ela riu de tanta raiva.
— Arthur, você não é tão bom assim!
Desligou o telefone e colocou-o de novo na lista de bloqueio.
Olhando para a ligação terminada, o rosto de Arthur ficou pálido, e seus dedos que seguravam o celular também; as veias de suas mãos saltaram.
O assistente entrou com pressa e hesitou em falar.
— Sr. Vasconcelos, o imóvel foi vendido há dois dias à tarde pela Beatriz por trezentos mil a menos que o valor de mercado...
Nesta manhã, o Sr. Vasconcelos pediu para ele encontrar um chaveiro para trocar a fechadura da porta, e foi assim que descobriu que o imóvel havia sido vendido.
— Impossível! Você deve estar enganado.
O queixo de Arthur ficou tenso, e os seus olhos escuros estavam muito frios.
Foi o primeiro dinheiro que ele ganhou; era a primeira casa dele e da Beatriz. Cada canto do lar foi decorado por ela, e ela valorizava muito a propriedade; como teria coragem de vender?
— Não, é verdade... ela está no Hotel Grand Palace há alguns dias.
O assistente apressou-se a contar as novidades que tinha acabado de investigar.
Arthur pegou as chaves do carro e passou por ele feito um vento.
Nesse momento, ele sentiu um leve pânico.
Logo depois de voltar ao quarto, ouviu batidas na porta.
Ao abrir a porta e ver quem era, o olhar dela ficou frio.
— Sr. Vasconcelos, algum conselho?
Ele não gostava de ser chamado assim e odiava o olhar indiferente dela no momento.
— Beatriz, por que você não me consultou antes de vender a nossa casa?
Um leve traço de deboche surgiu em seus olhos: — Eu sou a dona da casa; se vendo ou não, é liberdade minha. Se quiser mesmo uma resposta, posso te falar.
— Se não quero nem você, por que eu ia querer a casa?
Arthur ficou sem jeito, com a garganta seca: — Você realmente quer abrir mão do nosso relacionamento de três anos?
— Não foi você quem desistiu primeiro?
Beatriz retrucou de forma monótona e tranquila.
Arthur não suportou aquela atitude fria, que o dava uma ilusão irrecuperável.

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