POV/ SAKURA
Comecei a rir e peguei os talheres.
Enquanto almoçávamos, contei que Diego estava trabalhando desde as cinco da manhã e que Nathan também parecia sobrecarregado. Moon comentou que Christian quase não tinha conseguido descansar nos últimos dias, dividindo o tempo entre a empresa, o hospital e as responsabilidades familiares.
Pensei em perguntar se ela conhecia Helena, mas preferi esperar.
Não queria transformar o almoço em outro interrogatório.
Depois de comer, ajudei a organizar a cozinha e fui para o quarto. Tirei o blazer, troquei a roupa por uma camiseta confortável e me deitei, planejando descansar apenas alguns minutos.
Acordei quase duas horas depois.
O quarto estava mais escuro, e o celular indicava várias mensagens que eu ainda não tinha lido. Havia uma de Diego agradecendo novamente pela ajuda e outra de Nathan, enviada pouco depois das três.
Nathan: Depois das sete. Não inventa de ir sozinha.
Sorri.
Eu: Nossa, que homem desconfiado.
A resposta chegou alguns segundos depois.
Nathan: Eu te conheço.
Eu: Infelizmente.
Nathan: E mesmo assim continuo me preocupando com você, dona encrenca.
Fiquei olhando para a tela, sentindo um sorriso aparecer.
Eu: Nossa, apelido novo? 😂
Nathan: Bom, faz muito jus a você.
Soltei uma gargalhada.
Eu: Que romântico, Beaumont. Estou emocionada.
Nathan: Você queria que eu mentisse?
Eu: Podia tentar ser gentil de vez em quando.
Nathan: Eu fui gentil ontem.
Meu rosto esquentou imediatamente.
A lembrança dele me segurando pela cintura no Ambrosia, dos beijos e de tudo que tinha acontecido naquela suíte atravessou minha cabeça. Apertei os lábios para controlar o sorriso, mas não adiantou.
O desgraçado sabia exatamente o que estava fazendo.
Eu: Você é um idiota.
Nathan: E você reclama demais.
Antes que eu pudesse responder, outra mensagem apareceu.
Nathan: Come alguma coisa antes de sair.
Revirei os olhos, ainda sorrindo.
Eu: Você é muito mandão.
Nathan: E você não sabe obedecer.
Eu: Sei sim. Depende da ocasião. 😇
Dessa vez, Nathan demorou um pouco para responder.
Nathan: Sakura...
Comecei a rir sozinha.
Eu: O quê? Não falei nada!
Nathan: Vai descansar, dona encrenca.
Balancei a cabeça, sorrindo, e deixei o celular sobre a cama.
Levantei para lavar o rosto e encontrei Moon na sala quando saí do quarto. Ela estava sentada no tapete, diante da mesa de centro, com algumas fotografias espalhadas.
Aproximei-me.
— O que está fazendo?
Moon ergueu o rosto.
— Procurando uma foto antiga.
Sentei no sofá atrás dela e examinei as imagens.
Havia fotografias de Sky e Moon quando eram crianças, algumas com Estela e outras com Otávio. Reconheci o rosto do pai delas em uma imagem na qual segurava as duas filhas nos braços, sorrindo para a câmera.
— Vocês eram tão pequenas — comentei.
Moon sorriu.
— Sky era insuportável.
— Continua sendo.
Ela começou a rir.
Peguei outra fotografia. Nela, Moon aparecia sentada diante de um computador antigo, com os cabelos presos em duas tranças e uma expressão concentrada.
— Meu Deus, olha você!
Moon se inclinou para enxergar.
— Nossa! Eu tinha esquecido dessa foto.
Mostrei a imagem.
— O que estava fazendo?
Ela pegou a fotografia e sorriu.
— Provavelmente brincando com meu pai.
— No computador?
— É. Ele inventava uns jogos para mim.
Ajeitei-me no sofá.

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