POV: SAKURA
Nathan me envolveu com os dois braços e apoiou o queixo sobre minha cabeça. Ficamos assim durante algum tempo, sem conversar. Eu conseguia ouvir o funcionamento do ar-condicionado e o ruído distante de algum equipamento no corredor. O arquivo estava silencioso, e o cheiro de papel antigo continuava presente.
Fechei os olhos.
Era bom estar nos braços dele. Tinha sido bom no Ambrosia, apesar de toda a confusão. Era bom agora, mesmo depois de um dia cansativo e de descobertas que me deixaram assustada.
Nathan passou a mão lentamente pelas minhas costas.
— Sakura?
— Hum?
— Vamos para casa?
Afastei o rosto de seu peito.
— Vamos.
Ele beijou minha testa antes de me soltar.
Pegamos nossas coisas e conferimos se os documentos estavam devidamente guardados. Nathan desligou o computador, apagou as luzes e fechou a porta do arquivo.
O leitor emitiu um sinal quando ele passou o cartão.
Seguimos pelo corredor até o elevador. Durante a descida, encostei a cabeça no ombro dele.
Nathan olhou para mim.
— Cansada?
— Muito.
— Eu te levo para casa.
Assenti.
Ele entrelaçou nossos dedos, e sorri discretamente enquanto observava nossas mãos.
Quando chegamos ao estacionamento, Nathan abriu a porta do passageiro para mim e esperou que eu entrasse antes de dar a volta no carro.
Acomodei a bolsa sobre as pernas e peguei o celular.
As fotografias dos relatórios estavam salvas. Também tínhamos registrado as reportagens, os códigos do arquivo digital e as palavras que eu ouvira Lorenzo dizer.
Ainda não sabíamos se as movimentações financeiras eram irregulares. Não sabíamos se o acidente tinha qualquer relação com aqueles documentos, nem conhecíamos o conteúdo do arquivo protegido por senha.
E eu continuava sem entender por que Christian havia demonstrado tanta preocupação com Sky e Moon.
Nathan entrou no carro e colocou o cinto.
— Tudo certo?
Guardei o celular.
— Tudo.
Ele ligou o motor.
Fiquei olhando para o prédio da Blackwood através do vidro enquanto saíamos do estacionamento.
— Nathan?
— Oi?
— Você acha que o Christian vai contar alguma coisa se perguntarmos sobre o acidente?
Ele pensou por alguns segundos.
— Depende do que ele sabe.
Assenti.
— E sobre o arquivo do pai do Rocco?
— Podemos perguntar se ele conhece a referência.
— Você acha que ele vai ficar bravo?
Nathan soltou uma risada.
— Christian já está bravo com metade do planeta. Não seria novidade.
Comecei a rir.
— Coitado.
— Coitado de quem trabalha com ele.
— Você, por exemplo?
— Exatamente.
Balancei a cabeça, sorrindo.
Nathan estendeu a mão sobre o console, e entrelacei nossos dedos novamente.
Durante o caminho, fiquei pensando na reportagem sobre o acidente.
Otávio havia sido responsabilizado pela morte dos pais de Rocco. Estela também tinha morrido naquela tragédia, e Ravi sobrevivera.
Eu não sabia como Sky reagiria se visse aquelas notícias. Também não sabia o quanto Moon se lembrava daquela época.
Apertei discretamente a mão de Nathan.
Ele olhou para mim.
— O que foi?
— Nada.
— Sakura.

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