As palavras de Ema eram lentas, suaves e cheias de manha; aquele jeito meloso fez até ela mesma sentir arrepios.
Foi falsidade o suficiente? Ela achava que sim!
O suficiente para enojar Helena!
Já Alípio... ficou sem palavras.
A aproximação de Ema o fez paralisar levemente.
Ele estendeu o braço involuntariamente, aproveitando o momento para apertá-la firmemente em seus braços.
Ao baixar o olhar, viu a mulher em seu abraço, com os cabelos caindo como uma cascata de seda suave sobre seu braço.
Talvez fosse porque ela havia dormido bem e comido bem há pouco.
Sua pele agora parecia rosada e clara, com o brilho de jade polido.
Especialmente aquele olhar, terno como a água, comovente e vulnerável...
Ele não sabia que Ema, sempre cheia de espinhos, tinha um lado tão sedutor.
O pomo de adão de Alípio subiu e desceu repetidamente, e seus olhos brilharam com a cobiça de quem avista uma presa.
Se não houvesse tanta gente ali, ele provavelmente devoraria aquela pequena tentação em seus braços.
Ele demorou um bom tempo até limpar a garganta e falar:
— A nossa família Salazar sempre retribui a gratidão, mas também se vinga de ofensas...
Assim que a voz de Alípio cessou, Ema sorriu gentilmente para ele.
Por fora, ela era pura ternura e charme.
Porém, por dentro, ela calculava como fazer com que as pessoas que a incriminaram e insultaram recebessem a punição devida.
Ela nunca foi de fazer fingimentos e, honestamente, não queria agir assim.
Mas ela precisava encenar para Helena ver.
As palavras que Helena havia sussurrado em seu ouvido antes, cada uma delas, haviam perfurado seu coração.
A Helena não gostava do Alípio? Não tinha dormido com ele?
Será que essa cena era suficiente para fazer Helena trincar os dentes de raiva?
Ao pensar nisso, o olhar de Ema escureceu ainda mais.


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