— Segure firme! Não solte!!! — gritou Glória. Ela sentou-se abruptamente no chão, agarrando os braços de Ema e inclinando o corpo para trás para usar o máximo de força possível, mas simplesmente não conseguia puxá-la para cima.
— Balance as pernas e tente ver se há algum lugar ao redor onde você possa apoiar os pés! — A voz de Glória tremia.
Ema começou a mover as pernas lentamente. Quando as pontas de seus pés tocaram algo sólido, ela apressou-se a dizer:
— Tem, sim. Eu conto até três e você puxa com toda a força.
— Certo.
Ema apoiou a planta dos pés na superfície dura e gritou em seguida:
— Um, dois, três!!!
Exatamente no três, assim que Glória fez força, a pedra onde Ema se apoiava cedeu completamente. Com o solavanco, o peso sobre Glória foi imenso, e não só ela falhou em puxar Ema, como também escorregou perigosamente para baixo junto com o corpo da outra.
Um suor frio escorreu pelas duas. A respiração de Glória era alta e pesada; estava claro que suas forças estavam prestes a se esgotar.
Ema não ousava se mover mais. Se o apoio desmoronasse novamente, Glória muito provavelmente cairia junto com ela. Se o buraco fosse muito fundo, as consequências seriam impensáveis.
— Se... senhora, você... pode me soltar... Eu não a culparei. — Ema disse, engasgada pelo choro. — Por favor... cuide bem dos meus filhos.
Rengendo os dentes e com muito esforço, Glória rebateu:
— Deixe de bobagem! Vamos tentar de novo. Segure minha mão com força e não solte, está me ouvindo?!
Com a voz trêmula, Ema murmurou em concordância.
Ela procurou novamente um lugar para se apoiar. Desta vez, a terra não cedeu e, centímetro por centímetro, Glória finalmente conseguiu puxar Ema de volta para a superfície.
As duas caíram exaustas no chão, ofegando muito.
Após alguns instantes, Glória tateou o escuro em direção a Ema:
— Como você está? Se machucou?!
Ema sentia que algo havia arranhado suas pernas e que estavam sangrando. Engolindo a dor, respondeu com a voz embargada:
— Não, estou bem. Obrigada por não... não ter me soltado agora há pouco.
— Chorando por quê?! Seja forte! — Glória a repreendeu ofegante. Em seguida, deitou-se de costas, murmurando inconformada:
— Espere só, quando voltarmos, vou fazer meu filho terminar de vez com você...
— Não percebe quando alguém está tentando ser legal, cai em buracos enquanto anda... Ai, ai, quase deixei minha vida aqui por sua causa...
— Vai entender o que o meu filho viu em você...
— Estou morrendo de fome. Fui te levar almoço ao meio-dia, você não quis. A minha comida também estava naquelas vasilhas, e acabei sem comer nada no almoço nem no jantar...
— Sou uma dama de boa família, desde quando passo por esse tipo de provação...
Deitada de costas, Ema escutava as murmurações sem sentido de Glória e, surpreendentemente, não se sentiu nem um pouco irritada.
Relembrou o comportamento da sogra nos últimos dias, comparando com o passado. Parecia que ela realmente estava tentando se aproximar. Embora as palavras ainda carregassem certa acidez, suas ações e seu olhar haviam mudado...
Será que Alípio havia feito a cabeça de Glória?
Olhando para o céu noturno, várias imagens passavam como um filme na mente de Ema.
Cansada de reclamar, Glória disse com a voz exausta:
— Não sei se caímos num buraco ou num barranco, não dá para ver nada, é perigoso demais. Vamos ficar deitadas aqui mesmo até amanhecer. Meu filho deve conseguir nos encontrar.
— Está bem, faremos como você disser. — Ema concordou suavemente.

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