— Alípio, já faz quatro anos que não temos mais nada um com o outro. Que sentido tem continuar insistindo nisso?
A mão grande de Alípio passeava por sua cintura fina, alternando a pressão. Ao ouvi-la dizer aquilo, respondeu em tom indiferente:
— E você acha que basta dizer que acabou para realmente ter acabado?
— Alípio, se você não consegue conversar como uma pessoa civilizada, então não temos mais nada para falar. Me deixa sair. — respondeu Ema, irritada, tentando se soltar.
Alípio semicerrrou os olhos, observando a mulher fria e enfurecida em seus braços. Ela tinha mudado, e parecia uma mudança que vinha do fundo da alma.
A intenção dele ao esperar por ela não era aquela.
Ele não queria deixá-la furiosa.
Mas, no momento em que a viu se aproximar, toda a raiva e o ressentimento acumulados por ela ter se escondido tão meticulosamente vieram à tona de uma vez só.
Ele perdeu o controle.
O olhar de Alípio percorreu o rosto de Ema. Franziu a testa e suavizou um pouco o tom:
— Me diz logo. Por que foi embora? Por que estava se escondendo de mim?
Ema fechou os olhos por um segundo e virou lentamente o rosto na direção dele:
— Alípio, preste atenção. Quatro anos atrás, os nossos caminhos se separaram de vez. Eu fui embora porque não te amava e me escondi porque não queria viver aprisionada à força numa casa sem vida.
Depois de dizer aquilo, Ema fez menção de se levantar:
— Já falei tudo. Por favor, destrava a porta.
No entanto, assim que tentou erguer o corpo, foi puxada de volta por ele.
— Não me amava? Então quem você ama? Onde foi se esconder durante todos esses anos?
Ema lançou-lhe um olhar gelado. O que ele estava insinuando? Que ela havia fugido com outro homem?
Ela já devia imaginar que ele continuaria a menosprezá-la daquele jeito.
Mas, a julgar pela reação dele, parecia que realmente não descobrira muita coisa.
Isso confirmava que ele não fazia ideia de onde ela estivera durante aqueles anos.

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