Quase ao mesmo tempo em que enviou o e-mail para Givaldo e para o advogado, o celular começou a vibrar sem parar.
A primeira ligação foi de Givaldo.
Ema atendeu de imediato.
— Eu vi. — A voz dele estava dura. — Não responde nada antes de falar com o advogado.
— Eu não ia responder. — disse Ema, mantendo o tom controlado. — Mas ele foi rápido demais.
Givaldo soltou uma risada curta, sem humor.
— Claro que foi. Esse tipo de homem nunca entra em guerra sem já ter preparado o terreno.
Ema ficou em silêncio por um instante antes de perguntar:
— Você acha que isso é blefe ou ele realmente pretende avançar?
— Pretende. — respondeu Givaldo, sem hesitação. — Isso aqui não foi feito para te assustar só emocionalmente. É uma forma de medir sua reação e testar a possibilidade de um acordo antes de judicializar.
Ema apoiou uma das mãos na mesa da varanda.
— Então ele já está tratando isso como disputa certa.
— Sim.
Do outro lado, houve um breve silêncio.
Então Givaldo continuou:
— Amanhã cedo quero você no escritório do advogado comigo. Vamos rever tudo, inclusive documentos antigos, registros das crianças, rotina escolar, despesas médicas, tudo.
— Tá bom.
— Ema.
— Oi?
A voz dele baixou um pouco:
— Não deixa o medo fazer você agir por impulso. É isso que ele quer.
Ela respirou fundo.
— Eu sei.
Depois que desligou, a segunda ligação veio do advogado.
Ele foi técnico, direto, objetivo. Pediu que ela não apagasse nada, que reunisse todos os contatos, mensagens, presentes enviados, registros de abordagem e qualquer elemento que demonstrasse insistência ou pressão indevida.
Ao desligar de novo, Ema ficou alguns segundos olhando para o próprio reflexo fraco no vidro da varanda.
A realidade já não deixava espaço para fantasia: aquilo tinha se tornado uma disputa concreta.
...
Na manhã seguinte, Ema deixou as crianças na escola e seguiu direto para o escritório do advogado com Givaldo.
O homem, de meia-idade e fala precisa, já os esperava com uma pilha de anotações e o e-mail impresso.
Assim que os dois se sentaram, ele foi direto ao ponto:
— A boa notícia é que isso ainda não é uma ação formal. A má notícia é que foi redigido por alguém muito competente, o que indica preparação séria do outro lado.
Ema assentiu em silêncio.
O advogado continuou:

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