A psicóloga se chamava Dra. Elisa Moura.
O consultório era discreto, silencioso e acolhedor, sem qualquer excesso de formalidade.
Quando Ema se sentou à frente dela, sentiu imediatamente a exaustão que vinha segurando há dias pesar no próprio corpo.
Elisa não começou com perguntas técnicas nem com o tipo de voz artificialmente suave que Ema detestava.
Apenas perguntou:
— Você quer começar me contando o que está acontecendo ou quer começar me dizendo o que sente?
Ema ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu:
— As duas coisas estão misturadas.
Elisa assentiu.
— Então escolhe o ponto por onde consegue respirar melhor.
A frase, estranhamente, fez sentido.
Ema começou pelos fatos. Falou do passado com Alípio, da fuga, dos filhos, dos anos escondida, do reencontro, da garagem, das mensagens, do presente para Érica, dos e-mails, da ameaça jurídica.
Falou tudo com uma calma quase seca.
Quase como se estivesse narrando a vida de outra pessoa.
Elisa ouviu sem interromper.
Só quando Ema terminou é que perguntou:
— E agora me conta o que você sente.
Ema apoiou as mãos uma na outra.
Demorou um pouco.
— Raiva.
— De quem?
— Dele. De mim. Da situação inteira.
— Raiva de você por quê?
A pergunta a atingiu em um ponto sensível.
— Porque eu devia estar mais forte. Mais preparada. Mais fria talvez.
Elisa inclinou levemente a cabeça.
— Você acha que não está sendo forte?
Ema soltou uma risada curta, amarga.
— Estou funcionando. Não sei se isso é a mesma coisa.
Elisa anotou algo rapidamente e perguntou:
— Você tem medo dele?
Ema não respondeu na mesma hora.
Depois assentiu.
— Sim.
— Medo do quê exatamente?
Ela fechou os olhos por um segundo.
— De ele tirar meus filhos de mim. De ele invadir tudo de novo. De eu voltar a viver em função do que ele quer. De perder o controle da minha vida.

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