Nos dias seguintes, a aparente calmaria continuou.
Nenhuma mensagem.
Nenhum presente.
Nenhuma movimentação visível.
Até mesmo o advogado comentou com Givaldo que o outro lado parecia ter recolhido as peças por enquanto.
Mas Ema não conseguia relaxar de verdade.
Era como se seu corpo já tivesse aprendido a esperar o golpe.
Naquela quinta-feira, depois de buscar as crianças e jantar com elas, ficou mais um pouco na sala ouvindo os três discutirem sobre qual história queriam ouvir antes de dormir.
No fim, acabou contando a mesma fábula duas vezes porque Kleber insistiu que a primeira versão não teve “emoção suficiente”.
Quando finalmente colocou os pequenos na cama, sentiu uma exaustão física e mental tão grande que mal teve forças para tomar banho antes de cair na própria cama.
Dormiu por pouco tempo.
Acordou no meio da madrugada com o celular vibrando de forma insistente no criado-mudo.
Seu coração disparou antes mesmo de olhar a tela.
Número desconhecido.
Atendeu sem falar nada.
Do outro lado, houve alguns segundos de silêncio.
Então a voz grave e baixa de Alípio atravessou a linha:
— Você está acordada.
Ema se sentou na cama na mesma hora, tomada por uma raiva gelada.
— Você enlouqueceu de vez?
Ele soltou um som que parecia meio riso, meio suspiro.
— Então você ainda atende número desconhecido.
— Desliga agora.
— Eu queria ouvir a sua voz.
Ema apertou o celular com tanta força que seus dedos doeram.
— A notificação não foi clara o suficiente?
A resposta de Alípio veio calma demais.
— Foi. Por isso eu não fui até aí.
Aquilo a deixou ainda mais irritada.
— Você está tentando brincar com palavras e com limite. Não vai funcionar.

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