Enquanto Ema estava no seu dilema, ouviu Alípio dizer com uma voz gentil ao seu lado:
— Parece que a mamãe de vocês não gosta muito de receber pessoas em casa para jantar. E o tio ainda tem outras coisas para resolver, então acho que já vou indo. No próximo final de semana, a gente pode ir comer num restaurante bem legal, o que acham?
Ema não esperava que Alípio dissesse aquilo. Ele, que até agora pouco parecia um cara de pau...
Quando Alípio terminou de falar, Érica fez biquinho e disse, chateada:
— Mas eu perguntei para o senhor mais cedo, e o senhor disse que não tinha nada para fazer hoje à noite. O senhor não cumpre o que promete. O senhor acha a nossa casa feia, por isso não quer ficar? Mas a comida da minha mãe é muito gostosa.
Crianças sendo crianças: reclamando e, ao mesmo tempo, implorando para que ele ficasse.
Ainda assim, comparados a outras crianças, os três eram bem espertos. Se fossem outras, já estariam gritando "Não vou deixar você ir embora!" ou algo do tipo.
Dário também interveio:
— Mamãe, pede pro tio ficar, por favor. Lá no set de filmagem você não deixou a gente aceitar os presentes, e nós não aceitamos. Foi a Érica que quis agradecer ao tio e convidou ele para jantar. A culpa foi minha, eu deveria ter pedido para a Tia Hortensia perguntar para você antes. Como você sempre ensina a gente a ser grato, eu achei que você ia ficar feliz.
O garotinho soltou todo aquele discurso com sua boquinha ágil. Ema já estava balançada, e agora, ficava ainda mais difícil negar.
Engolindo seu desconforto, Ema resmungou de forma evasiva:
— O jantar já vai ficar pronto.
Os meninos, não ouvindo a mãe proibir, continuaram com a testa franzida, esperando por algo mais.
Mas Alípio já havia saído de trás da bancada. Ele pegou Érica no colo, olhou para Dário e Kleber e disse suavemente:

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