Ema percebeu que as duas estavam um pouco constrangidas ali, então não insistiu. Ela apenas disse para prepararem o que tivessem vontade de comer e voltou para a mesa.
Assim que Ema se sentou, Dário lhe ofereceu um pequeno prato com camarões:
— Mamãe, eu descasquei para você.
Em seguida, Kleber entregou outro pratinho:
— A mamãe trabalhou muito fazendo a comida, então escolhi os pedaços mais macios de aipo para você.
E lá estava Érica, segurando a colher com as mãozinhas, estendendo-a trêmula na direção de Ema:
— Mamãe, coma um bolinho de peixe. Mas não coloque muita pimenta, nesse calor é fácil o corpo inflamar e causar desequilíbrio.
Ema elogiou cada um deles e aceitou a comida que lhe ofereciam.
Enquanto isso, Alípio observava a cena, com um brilho indecifrável no olhar. Ele falou lentamente:
— Eu me lembro que você não comia essas coisas.
Ema não respondeu; já estava saboreando a comida com gosto.
É claro que ele lembrava que ela não gostava. Antigamente, como ele detestava esses pratos, ela costumava dizer que também não gostava...
Hortensia, observando tudo e com medo de que o clima ficasse estranho, sorriu e interveio:
— Sr. Salazar, essas são as comidas favoritas da Ema. Talvez, com o passar do tempo, o senhor tenha se confundido.
Alípio assentiu com a cabeça, sem dizer mais nada.
Os pequenos eram anfitriões muito atenciosos; ora ofereciam algo para ele provar, ora recomendavam outro prato.
E, claro, não perdiam a chance de elogiar as habilidades culinárias da mãe.
Durante todo o jantar, Ema não disse muito mais do que responder às crianças e pedir para Hortensia comer um pouco mais.
Após a refeição, as crianças pediram a Ema que deixasse Alípio ficar mais um pouco, pois faltava pouco para terminarem de montar um Lego que haviam começado antes do jantar.
Ema acabou concordando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Acusada de Traição, Volto com Três Filhos