No escritório do Grupo Salazar, Marcos Vaz entregou uma xícara de café:
— Sr. Salazar, que tal o senhor deitar um pouco na sala de descanso? O técnico que eu contratei deve descobrir a localização do celular muito em breve.
Alípio perguntou, exausto:
— Mais ou menos quanto tempo?
Marcos hesitou. Ao notar o olhar gélido e cortante de Alípio, ele respondeu com o semblante pesado:
— O técnico disse que, se for rápido, leva algumas horas, mas se for demorado, pode levar dias...
O rosto de Alípio escureceu no mesmo instante, o cansaço em seus olhos sendo substituído pela fúria. Ele se levantou de supetão, varrendo os documentos da mesa para o chão com um golpe brusco.
— Dias?! Até algumas horas já é tempo demais para mim! Ela está desaparecida agora, a cada minuto, a cada segundo, ela pode estar correndo perigo! — Alípio rugiu de raiva, em um tom que fez todos ao redor estremecerem.
Marcos estremeceu levemente, assustado com a explosão de fúria de Alípio, e apressou-se a dizer:
— Sr. Salazar, os técnicos já estão fazendo o possível, vão dar um resultado o mais rápido que puderem. Além disso, eu também entrei em contato com detetives particulares...
Alípio sequer conseguia ouvir. Seu peito subia e descia violentamente, a ansiedade e a raiva em seu coração pareciam um vulcão prestes a entrar em erupção.
— Vá apressá-los! — berrou Alípio.
Marcos assentiu rapidamente:
— Sim, Sr. Salazar. Farei isso agora mesmo.
Ele se virou para sair do escritório, mas foi interrompido por Alípio.
— Espere! — A voz de Alípio soou um tanto rouca. — Vá e demita os dois seguranças encarregados de proteger a Ema! Perderam ela de vista assim... são uns inúteis!
— Sim, Sr. Salazar. — Marcos assentiu mais uma vez e recuou depressa para fora da sala.
Alípio voltou a se sentar na cadeira, massageando as têmporas. Ele fechou os olhos, tentando se acalmar.


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