O gelo derretia do lado de fora da janela. Alícia dormiu até a tarde.
Foi a primeira vez no último ano que ela dormiu tanto tempo sem o auxílio de soníferos.
Ela se sentou na cama e olhou para a bagunça ao redor. Ao lembrar de como Kylen parecia ter enlouquecido na noite anterior, franziu a testa.
Seu corpo não estava pegajoso, alguém a havia limpado e vestido com um pijama seco. As feridas causadas pelos vidros na noite anterior também tinham pomada, e seu rosto estava fresco, sem a dor da ardência.
Não precisava pensar muito para saber quem tinha feito aquilo.
Alícia ficou sentada na cama, distraída, até que a dor aguda no ouvido e o calor febril do corpo a fizeram lembrar das advertências do médico dias antes:
— Se houver dor intensa no canal auditivo acompanhada de febre, vá ao hospital imediatamente. Uma perfuração no tímpano com infecção não é algo simples, pode afetar a audição. Leve isso a sério.
Naquela noite, após ser agredida, ela foi ao hospital com a polícia para o exame de corpo de delito, que constatou a perfuração no tímpano.
Como o tamanho da perfuração estava no limite e não havia infecção, o médico a mandou para casa sob observação, esperando que cicatrizasse sozinho. Mas, no fim, acabou infeccionando.
Alícia levantou-se, trocou de roupa rapidamente e desceu.
— Senhora, já acordou? Vou buscar algo para comer agora mesmo... Ué? Vai sair?
A governanta, ao ver Alícia descer, estava indo para a cozinha, mas parou ao notar que ela carregava uma bolsa.
Alícia manteve a expressão neutra. — Não vou comer em casa. Tenho que sair.
A dor no ouvido estava cada vez mais forte, acompanhada de um zumbido constante. Não tinha condições de dirigir naquele estado.
Alícia pensou em chamar um táxi para entrar na propriedade e evitar pedir a um segurança, o que revelaria seu destino a Kylen.
Mas, pensando bem, por que Kylen se importaria com onde ela ia?
Mesmo que ela fosse procurar a própria morte, Kylen não ligaria.

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