Alícia manteve a cabeça baixa, algumas mechas de cabelo cobrindo metade do rosto. Sua expressão era ilegível, mas a governanta podia sentir sua tristeza.
— Talvez ele...
A governanta tentou explicar, mas foi interrompida por um gesto de Alícia.
— Vou subir para tomar banho. Leve a caixa de primeiros socorros para o meu quarto, por favor.
Observando os passos trôpegos dela escada acima, a governanta suspirou silenciosamente, mas obedeceu e foi buscar os remédios.
Ao passar pela suíte master, ela olhou para dentro. Como esperado, Alícia não estava lá.
Ela estava no quarto ao lado.
Quem imaginaria que, mesmo casados há três anos, a senhora e o Diretor Lourenço ainda dormiam em quartos separados.
O banheiro estava cheio de vapor.
Diante do espelho, olhando para os hematomas terríveis que cobriam grandes partes de seu corpo, os lábios de Alícia tremiam. Seus dedos, rígidos e em espasmo, arrancaram as roupas com força e as jogaram no lixo.
Como se tivesse esgotado todas as suas forças, ela escorregou e caiu sentada no chão.
Pouco depois, um choro abafado pareceu vir do banheiro. A governanta tentou escutar, mas só ouviu o som contínuo da água do chuveiro.
Após o banho, Alícia recusou a ajuda da governanta. Sentada no sofá, aplicou o remédio nos ferimentos de qualquer jeito e deitou-se na cama.
Assim que fechou os olhos, as imagens do espancamento e as risadas cruéis dos homens invadiram sua mente.
Os ossos doíam.
Ela se virou, abriu a gaveta do criado-mudo e tateou até o fundo, encontrando um frasco. Abriu a tampa, jogou um comprimido na boca e engoliu a seco, sem água.
Com a ajuda do remédio para dormir, Alícia logo apagou.
Mas, mesmo no sono, sua testa continuava franzida, coberta de suor frio. Seus dedos agarravam o lençol com tanta força que ficaram brancos, tremendo sem parar.
— Me ajuda...
Presa em um pesadelo, o rosto de Alícia estava pálido como cera. Seu corpo frágil tremia incontrolavelmente e lágrimas escorriam de seus olhos fechados.
O quarto escuro e vazio não ofereceu nenhuma resposta.
...



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