Alícia montava guarda do lado de fora da sala de emergência. A porta se abriu e o médico, retirando a máscara, informou a Nelso:
— O sangramento foi estancado, mas a ponta da lâmina atingiu o fígado. A anestesia ainda não passou, então o paciente continua sedado. As próximas vinte e quatro horas ainda são críticas.
— Muito obrigado.
Assim que Nelso terminou de falar, viu de soslaio uma silhueta esguia apressando o passo para acompanhar a maca onde Narciso estava sendo levado para o quarto.
A enfermeira fixou a cama de Narciso no lugar, verificou se todos os aparelhos estavam funcionando corretamente e, só então, deixou o quarto, instruindo Alícia:
— Se houver qualquer alteração, chame-nos imediatamente.
Alícia agradeceu e sentou-se à beira da cama de Narciso.
Desde criança, Narciso raramente ficava doente; no máximo tomava um remédio, dormia e logo estava novo. Mas agora, lá estava ele, estendido em uma cama de hospital, ainda correndo risco de vida.
E tudo porque ele a salvou.
Alícia permaneceu ao lado da cama sem se afastar um centímetro. Somente ao anoitecer é que Narciso despertou. Alícia segurou sua mão imediatamente, exclamando com alegria:
— Narciso, finalmente você acordou!
Narciso havia tido um sonho. Sonhou que sua reação não fora rápida o suficiente para bloquear a facada por Alícia, e que ela sangrava sem parar em seus braços.
Seus olhos se abriram cheios de pavor e pânico, mas ao ver Alícia sentada ao seu lado, enquanto ele era quem estava deitado, a dor em seu abdômen trouxe sua consciência de volta à realidade.
Desta vez, ele fora rápido o suficiente.
Ele apertou a mão de Alícia de volta, seus nervos tensos relaxaram e ele disse com a voz fraca:
— Que susto você me deu.
— Ei, não se mexa. — Alícia afastou a mão dele com cuidado, pois a ponta de seu dedo estava conectada ao monitor cardíaco.
Ela não sabia que ele havia sonhado; pensou apenas que ele estava preocupado com a própria recuperação.
— O grande Narciso tem a sorte ao seu lado. Seus dias de glória ainda estão por vir.
O vislumbre rápido daquela manhã, aquele rosto vagamente familiar, a fez lembrar de quem se tratava.
A agressora havia sido capturada, e a polícia mostrou o depoimento a Alícia.
Era realmente aquela pessoa.
Era também a mulher que ela vira nas câmeras de segurança ajudando Dona Maisa naquele dia. Como ela estava de máscara e chapéu, Alícia não a reconheceu de imediato, e provavelmente nem Dona Maisa a reconhecera na hora.
Aquela mulher era, de fato, uma ex-funcionária que ela havia demitido.
Alícia sempre fora tolerante com os empregados; se não envolvesse questões de princípios, ela não demitia ninguém facilmente.
O problema foi que aquela mulher roubara tantas vezes que, se não a demitisse, Alícia perderia a autoridade no futuro.
Ela ainda se lembrava do dia da demissão; a mulher a xingou com palavras horríveis, e para não criar mais confusão, Alícia ordenou que os seguranças a retirassem do Jardim Sombrio.
Quem diria que isso resultaria na tragédia de hoje, permitindo que o ressentimento daquela mulher se acumulasse por tanto tempo, levando à morte de Dona Maisa.

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