Ela apertou os dedos trêmulos com força, cravando as unhas na palma da mão até sangrar.
O silêncio era assustador.
— Alícia, Alícia...
O Diretor Barros chamava o nome dela com a testa franzida de preocupação.
Alícia parecia uma escultura de gelo imóvel. Demorou um bom tempo até mover os lábios rígidos e dizer, com a expressão controlada:
— Prossiga.
Vendo que ela não chorava nem fazia escândalo, o Diretor Barros ficou ainda mais preocupado, temendo que ela fizesse alguma loucura.
Mas ele precisava dizer o restante.
A escolha final caberia a Alícia.
Ele estendeu um cheque na direção dela.
— Esta é a compensação da Família Arantes para você.
Era o jeito deles de abafar o caso.
Alícia ergueu os olhos e olhou.
Cinco milhões.
Não imaginava que seus ferimentos valessem tanto.
O Diretor Barros disse mais algumas palavras para tentar confortá-la.
— Tudo bem, entendi. — Alícia pegou o cheque e levantou-se prontamente para sair do escritório.
A porta se fechou suavemente. O Diretor Barros continuou olhando para a porta, com o cenho franzido.
No passado, quando Alícia enfrentava situações assim, ela sempre ia para o confronto direto, nunca aceitava dinheiro para ficar calada.
Mas, desta vez, o outro lado tinha a proteção da Família Lourenço. Mesmo que ele quisesse ajudar Alícia, sua influência não chegava aos pés dos Lourenço.
Se Alícia realmente deixasse por isso mesmo, honestamente, ele ficaria decepcionado.
Ele a escolhera para aquele trabalho difícil justamente por sua coragem de não temer o poder e não ter medo da morte.
Expor a escuridão e a sujeira da sociedade exigia exatamente essa garra que Alícia possuía.
E agora ela pegava o dinheiro e ia embora?



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