Enquanto falava, Vanessa já não conseguia segurar as lágrimas. Fungou, tentando se recompor, mas a dor continuava ali, presa na garganta.
— E, no fim, foi justamente você que acabou escolhendo o caminho mais difícil. Como mãe, eu vejo tudo isso e sofro cem vezes mais. Para ser sincera, eu tenho até mais medo do que você de a Carol ir embora.
Os olhos de Henrique também ficaram vermelhos. Ele se virou, pegou alguns lenços sobre a escrivaninha e enxugou o rosto da mãe com cuidado.
— Mãe, por que a senhora tem tanto medo de a Carol ir embora?
Vanessa respirou fundo. O suspiro saiu pesado, cheio de uma amargura que vinha de muitos anos.
— Porque, nos cinco anos em que ela ficou longe, eu vi aquele meu filho alegre, que vivia sorrindo, sumir pouco a pouco. Você foi ficando calado, fechado, sem brilho nos olhos. Parou de rir, parou de conversar. Depois vieram o cigarro, a bebida... Eu via você se desfazendo por causa desse amor, e aquilo, para uma mãe, era uma dor que não passava. Quantas vezes eu não tive vontade de me ajoelhar diante de Deus e pedir para a Carol voltar? Pedir para ela ficar com você, não mudar de ideia, não te deixar de novo.
Henrique não conseguiu mais se conter. Os olhos profundos ficaram úmidos. Ele puxou a mãe para os braços e a apertou contra si. Ergueu o rosto, respirando fundo, tomado por uma dor que mal cabia no peito.
Vanessa chorava baixinho abraçada a ele.
A culpa o atravessou como uma onda.
— Me desculpa, mãe. Naqueles anos, eu fiz a senhora sofrer demais. Eu era muito novo. Não soube lidar com uma desilusão. Mas isso não vai acontecer de novo.
— A Carol também sofreu muito.
Vanessa fungou, afastou-se um pouco dele e enxugou as lágrimas com o lenço, de cabeça baixa.
— Talvez seja melhor ela ter esquecido. Para falar a verdade, uma parte de mim nem queria que ela se lembrasse. Aqueles anos também foram sufocantes para ela. Dolorosos demais. Só que, se ela não se lembrar de você, também não vai se lembrar do que sentia. E se ela...
Henrique a interrompeu com um sorriso amargo:
— Mãe, está dizendo que o charme do seu filho já não dá conta de fazer ela se apaixonar de novo?
Vanessa ainda tinha os olhos marejados, mas acabou sorrindo também. Ergueu o rosto e observou o filho diante dela.
Henrique continuava bonito de um jeito quase injusto. Mesmo com os olhos vermelhos, seu sorriso ainda era quente, luminoso, daqueles que faziam a expressão inteira ganhar vida. Ele estava no auge da idade, firme, maduro, cheio de presença.
Claro que tinha encanto.
— Está bem.
Vanessa enxugou o resto das lágrimas e voltou a arrumar as coisas, agora com um sorriso mais leve.
— Então vou esperar por boas notícias.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...