Com o celular na mão, Carolina se levantou e foi até a varanda. Parou sob o sol morno e perguntou, sem pressa:
— De quanto estamos falando?
Pedro pareceu se incomodar.
— Carol, você já está pensando no dinheiro? Essa indenização é do nosso pai.
— Se é dele, por que precisam da minha assinatura? Peçam para ele assinar.
— É que... Ele está preso.
— E daí? Ele não perdeu a capacidade civil. Um advogado pode ir até o presídio colher a assinatura.
Do outro lado, Pedro engasgou nas próprias palavras. Tentou encontrar uma saída, mas nenhuma desculpa parecia boa o bastante.
Carolina não se lembrava de muita coisa, mas ainda tinha bom senso. E, mais importante, entendia de Direito.
— Deixa eu adivinhar. Quando a mamãe ficou doente, ela deixou um testamento? A casa antiga também tem uma parte no meu nome?
Pedro percebeu que não adiantava mais esconder. Depois de alguns segundos de silêncio, respondeu a contragosto:
— Sim. Quando a mamãe adoeceu, você ajudou com dinheiro, cuidou dela, fez o que pôde. Vai ver ela achou que precisava compensar você de algum jeito. Foi ao presídio falar com o papai, e os dois deixaram a casa dividida assim: o térreo ficou com eles, o segundo andar comigo, e o terceiro com você.
Carolina perguntou, com uma curiosidade tranquila:
— E se eu não assinar? A demolição não sai?
Pedro perdeu a calma.
— Por que você não assinaria? Essa casa nem vale tudo isso. A indenização é de vinte milhões. Com esse dinheiro, dá para comprar um apartamento enorme no centro, de uns quatro milhões, e ainda sobra uma fortuna para investir. Não é perfeito?
— Tenho apego sentimental. Gosto da casa antiga. Não quero assinar.
— Você está maluca, Carolina? Que apego sentimental, se você perdeu a memória? Você tem casa em Porto Velho, tem casa em Nova Capital, tem um namorado rico e influente. Nem vai voltar para morar aqui. Vai guardar aquela porcaria para quê? Para criar mofo? Para virar ninho de rato?
— Não.
Carolina sorriu, apoiada no parapeito da varanda. Ergueu o rosto para o céu azul e sentiu, para sua própria surpresa, um prazer leve atravessar o peito.
— Vou guardar só para te irritar.
— Você é doente, porra?
Pedro explodiu e desligou na cara dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...