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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 358

A noite já tinha tomado conta da cidade, e o trânsito avançava a passos lentos, quase parando.

O carro entrou no fluxo pesado de lanternas vermelhas, como se mergulhasse num rio de luzes rubras. Lá dentro, o silêncio pesava.

Henrique mantinha o rosto fechado. Sentado ereto, não dizia uma palavra.

Carolina, esgotada, encostou a cabeça no vidro e ficou olhando a cidade passar. Por dentro, tentava organizar os pensamentos, procurando uma forma de começar… De explicar.

Ele não ia perguntar nada?

Não ia dizer nada?

O ar parecia denso demais. Difícil até de respirar.

Meia hora depois, o carro entrou no C&H.

O motorista tirou a cadeira de rodas do porta-malas. Henrique se apoiou na porta, desceu e se acomodou nela. Depois de encerrar o serviço, o motorista se despediu e foi embora.

Sob a luz amarelada do jardim, Carolina ficou ao lado dele em silêncio. Observava o perfil rígido, distante. Apertava a alça da bolsa entre os dedos, enquanto uma pressão invisível apertava seu peito.

— Rick… — Ela falou primeiro, a voz baixa. — Não entenda errado, por favor. Eu e o Cláudio… É só trabalho. Não existe nada além disso, absolutamente...

Henrique nem deixou que terminasse.

Acionou a cadeira de rodas e entrou em casa.

A frieza dele cortou fundo.

Como se a culpa fosse dela.

Como se ela tivesse escolhido estar na casa do Cláudio.

Era mesmo preciso desconfiar dela daquele jeito?

Carolina ficou parada, sem conseguir se mexer.

A dor que vinha segurando finalmente rompeu. As lágrimas começaram a cair, silenciosas, uma atrás da outra.

E então vieram os pensamentos.

Pesados. Cruéis. Implacáveis.

"Carolina, a culpa é sua. Você merece ser ignorada… Deixada de lado… Odiada.

Por causa de dinheiro, você não largou o caso do Cláudio. Agora aguenta as consequências.

Depois de machucar o Rick tantas vezes, é óbvio que ele não confia mais em você.

Você só atrapalha a vida dos outros.

Desde criança, nunca foi prioridade pra ninguém. Sempre foi um peso dentro da própria família.

Estudou anos… E no fim virou uma advogada que mal ganha dinheiro.

Não conseguiu salvar o seu pai.

Sua mãe morreu porque o tratamento não chegou a tempo. Por sua culpa.

Seu próprio irmão virou as costas pra você.

E até a pessoa que mais te amava… Cansou.

Então pra que continuar existindo?"

Era sempre assim.

Pegou um livro grosso de medicina tradicional chinesa na estante e começou a procurar o significado de "comprometimento dos canais do coração".

Depois, passou para a internet. Leu artigos, textos explicativos, qualquer coisa que encontrasse.

Conseguiu entender mais ou menos os sintomas, mas nada muito claro.

Então pegou o telefone e ligou para o médico de medicina chinesa que atendia seu avô.

Explicou a situação rapidamente.

Do outro lado, o médico pareceu surpreso.

— Essa moça… Não é a mesma jovem cujo pulso eu examinei alguns meses atrás, na casa do seu avô?

Henrique travou.

— Então… Ela já sabia disso há meses?

A voz dele tremeu, carregada de tensão. Ele se segurava para não explodir.

Era essa a tal sinceridade dela?

Quantas coisas mais ela ainda estava escondendo?

O médico respondeu, em tom sério:

— Pelo que avaliei na época, esse problema já vinha de anos. Não surgiu de repente. Foi se acumulando… Uma doença emocional que ela carregou por muito tempo, até o corpo não aguentar mais.

Henrique fechou os olhos por um instante.

— Doutor… Esse comprometimento dos canais do coração… O que exatamente é? Tem tratamento?

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