A noite já tinha tomado conta da cidade, e o trânsito avançava a passos lentos, quase parando.
O carro entrou no fluxo pesado de lanternas vermelhas, como se mergulhasse num rio de luzes rubras. Lá dentro, o silêncio pesava.
Henrique mantinha o rosto fechado. Sentado ereto, não dizia uma palavra.
Carolina, esgotada, encostou a cabeça no vidro e ficou olhando a cidade passar. Por dentro, tentava organizar os pensamentos, procurando uma forma de começar… De explicar.
Ele não ia perguntar nada?
Não ia dizer nada?
O ar parecia denso demais. Difícil até de respirar.
Meia hora depois, o carro entrou no C&H.
O motorista tirou a cadeira de rodas do porta-malas. Henrique se apoiou na porta, desceu e se acomodou nela. Depois de encerrar o serviço, o motorista se despediu e foi embora.
Sob a luz amarelada do jardim, Carolina ficou ao lado dele em silêncio. Observava o perfil rígido, distante. Apertava a alça da bolsa entre os dedos, enquanto uma pressão invisível apertava seu peito.
— Rick… — Ela falou primeiro, a voz baixa. — Não entenda errado, por favor. Eu e o Cláudio… É só trabalho. Não existe nada além disso, absolutamente...
Henrique nem deixou que terminasse.
Acionou a cadeira de rodas e entrou em casa.
A frieza dele cortou fundo.
Como se a culpa fosse dela.
Como se ela tivesse escolhido estar na casa do Cláudio.
Era mesmo preciso desconfiar dela daquele jeito?
Carolina ficou parada, sem conseguir se mexer.
A dor que vinha segurando finalmente rompeu. As lágrimas começaram a cair, silenciosas, uma atrás da outra.
E então vieram os pensamentos.
Pesados. Cruéis. Implacáveis.
"Carolina, a culpa é sua. Você merece ser ignorada… Deixada de lado… Odiada.
Por causa de dinheiro, você não largou o caso do Cláudio. Agora aguenta as consequências.
Depois de machucar o Rick tantas vezes, é óbvio que ele não confia mais em você.
Você só atrapalha a vida dos outros.
Desde criança, nunca foi prioridade pra ninguém. Sempre foi um peso dentro da própria família.
Estudou anos… E no fim virou uma advogada que mal ganha dinheiro.
Não conseguiu salvar o seu pai.
Sua mãe morreu porque o tratamento não chegou a tempo. Por sua culpa.
Seu próprio irmão virou as costas pra você.
E até a pessoa que mais te amava… Cansou.
Então pra que continuar existindo?"
Era sempre assim.
Pegou um livro grosso de medicina tradicional chinesa na estante e começou a procurar o significado de "comprometimento dos canais do coração".
Depois, passou para a internet. Leu artigos, textos explicativos, qualquer coisa que encontrasse.
Conseguiu entender mais ou menos os sintomas, mas nada muito claro.
Então pegou o telefone e ligou para o médico de medicina chinesa que atendia seu avô.
Explicou a situação rapidamente.
Do outro lado, o médico pareceu surpreso.
— Essa moça… Não é a mesma jovem cujo pulso eu examinei alguns meses atrás, na casa do seu avô?
Henrique travou.
— Então… Ela já sabia disso há meses?
A voz dele tremeu, carregada de tensão. Ele se segurava para não explodir.
Era essa a tal sinceridade dela?
Quantas coisas mais ela ainda estava escondendo?
O médico respondeu, em tom sério:
— Pelo que avaliei na época, esse problema já vinha de anos. Não surgiu de repente. Foi se acumulando… Uma doença emocional que ela carregou por muito tempo, até o corpo não aguentar mais.
Henrique fechou os olhos por um instante.
— Doutor… Esse comprometimento dos canais do coração… O que exatamente é? Tem tratamento?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...