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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 359

— Esse tipo de diagnóstico pode envolver diferentes quadros, mas, na maioria dos casos, está ligado ao estado emocional. Numa avaliação mais clínica, isso pode estar relacionado à depressão, ao transtorno bipolar, ao estresse pós-traumático, entre outros quadros. — O médico respondeu com calma.

— Entendi. Obrigado. — Henrique encerrou a ligação.

Ficou parado, olhando para os livros espalhados sobre a mesa. O rosto, fechado, pesado.

Algo dentro dele parecia afundar, como se caísse num abismo escuro, sem fim. Um medo desconhecido começou a se instalar.

Ele girou a cadeira de rodas e saiu do quarto.

Não foi até o quarto de Carolina.

Parou diante da porta de Larissa.

Bateu.

Ela abriu, surpresa.

— Henrique? A essa hora… Aconteceu alguma coisa?

Ele foi direto ao ponto, sem rodeios. A voz, firme. Dura.

— Que doença a Carolina tem?

Larissa travou por um instante. O olhar vacilou. As mãos se fecharam na barra da roupa. Hesitou.

Não respondeu.

A paciência de Henrique acabou.

O punho se fechou com força, e a voz saiu mais pesada:

— Que doença é essa que você não pode me contar?

— Isso é pessoal da Carol… Não cabe a mim falar. Pergunta pra ela. — Disse Larissa, baixando os olhos.

Henrique soltou uma risada seca.

— Perguntar pra ela? — Os olhos começaram a ficar vermelhos. A mão tremia levemente. O peito subia e descia como se algo estivesse rasgando por dentro. — Ela nunca me conta quando está mal. Só mostra o lado bom. Tudo que é ruim… Ela esconde. Vive me enganando. Hoje em dia… Eu não acredito em mais nada do que ela diz.

Larissa franziu a testa. A indignação veio na hora.

— Sabe por quê? Porque ela te ama demais.

Henrique soltou outra risada, amarga.

— Amor? Que tipo de amor é esse? Eu nunca vi ninguém amar assim… Desse jeito que só machuca. No fim das contas, o que ela sempre pensou que eu era? Até você sabe da doença dela… Menos eu. Justo eu.

Larissa respirou fundo.

Henrique ficou imóvel.

— Eu entrei em desespero. Fui correndo pra lá enquanto falava com ela. Pelo telefone, xinguei, chamei de idiota… Disse que estava sendo egoísta. E ela só repetia que doía. Doía demais. Mas nem sabia dizer onde. Só queria parar de sentir aquilo. Também falou que o caso do pai tinha destruído a vida dela.

Larissa passou a mão pelo rosto.

— Naquele momento, eu disse que o pai dela era um homem bom… Que tinha sido injustiçado. Foi a única coisa que fez ela hesitar.

Ela respirou fundo antes de continuar.

— Quando eu cheguei… Ela ainda estava lá. Não tinha pulado. Eu fiquei aliviada… E com muita raiva. Dei um tapa na cara dela. Depois… A gente só se abraçou e chorou.

O silêncio pesou por um instante.

— Depois disso, ela mudou completamente. A depressão começou a melhorar. Ela mergulhou nos estudos de Direito… Passava o dia inteiro estudando, como se não existisse mais nada. Ainda fazia trabalhos extras pra ganhar dinheiro. Em um ano, passou na OAB, virou advogada de interesse público e começou a correr atrás da revisão do caso do pai.

Larissa olhou diretamente para Henrique.

— Todo ano ela tentava de novo. Todo ano era negado. Mesmo assim… Insistiu por cinco anos. Até você aparecer.

Ela fez uma pausa breve.

— Só depois eu descobri que você era o ex-namorado dela.

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