Júlia secou o rosto com um lenço de papel, levantou levemente o olhar e retrucou:
— E por que eu iria querer o respeito dele?
— Pra que fingir superioridade? Se você não tivesse se aproveitado da minha viagem ao exterior para seduzir o Sérgio, a esposa dele hoje seria eu! Nunca que uma atrizinha oportunista como você teria chegado lá! — Clarice ergueu um pouco o rosto, encarando Júlia. — Uma garota de família comum como você, achando que uma certidão de casamento basta para entrar na alta sociedade... Você acha que tem cacife pra isso?
Sem a presença de Sérgio Santana, a Senhorita Cardoso nem se dava mais ao trabalho de atuar.
Júlia não fazia a menor ideia de como era essa tal alta sociedade. Desde o casamento, Sérgio nunca demonstrou interesse em inseri-la em seu círculo social.
Seus amigos e parceiros de negócios sequer sabiam que Sérgio Santana era um homem casado.
Clarice ergueu o queixo de forma arrogante, rindo com o rosto transbordando provocação.
Porém, sua mão escorregou sorrateiramente para o bolso, acionando o botão de ligar.
Júlia não percebeu o movimento e continuou:
— Até que você e o Sérgio combinam muito bem. São os dois igualmente arrogantes e donos da razão.
Clarice deu um sorriso amigável.
Júlia balançou a cabeça:
— Você não entende nem quando alguém te ofende.
Ouvindo isso, Clarice fingiu indignação:
— Pode falar de mim, mas não ouse falar do Sérgio! Ele nunca te tratou mal. Tudo o que ele faz é pensando no bem da empresa.
Júlia estava queimando em febre, seus olhos mal conseguiam ficar abertos.
Sem querer gastar mais saliva, ela ignorou a tentativa de bloqueio e passou à força por Clarice.
De repente, Clarice perdeu o equilíbrio, bateu contra a parede e soltou um gemido baixo de surpresa:
— Ah! Que dor...
Júlia olhou para ela, sem palavras.
A voz manhosa de Clarice soou enjoativa:
— Eu só queria pagar um jantar para todo mundo porque acabei de ser promovida, e aproveitar para te pedir desculpas. A culpa por aquilo nos trending topics foi minha, o Sérgio não tem nada a ver com isso. Eu estou sendo sincera, por que você me empurrou?
Júlia soltou uma risada irônica:
— Clarice, para se fazer de vítima, você precisa de plateia. Atuar só para mim é puro desperdício de talento.
Clarice segurou o próprio ombro, com lágrimas prontas para rolar.
Do outro lado da linha, Sérgio Santana encerrou a chamada.
Éder notou que o chefe estava estático e não resistiu em chamá-lo:

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