Sua primeira reação não foi questionar por que Júlia queria romper o contrato.
Mas sim o fato de que a decisão de aquisição pela Oceano acabara de ser definida. Como Júlia ficou sabendo disso?
Se a aquisição ocorresse sem problemas, Sérgio iria gerenciar pessoalmente a subsidiária por um tempo.
Visto por esse ângulo, Júlia realmente estava usando de todos os meios possíveis para se aproximar dele.
Uma pena, era esforço inútil.
Ele não precisava de uma funcionária dócil e obediente, mas sim de alguém como Clarice, uma profissional madura, capaz de elaborar propostas.
Tiago, movido pelo sentimento de que se alguém estivesse sofrendo ele se sentiria menos miserável, perguntou:
— E aí, bateu a saudade de repente?
Sérgio não deu a mínima:
— Não me importo.
— Tudo bem, tudo bem! — O dedo indicador de Tiago vacilava no ar. — Você só precisa esperar para beber no meu casamento com a Júlia.
Sérgio deu uma leve risadinha.
Júlia era a mulher dele.
Nesta vida inteira ele não tomaria dessa bebida de casamento.
Além disso, Tiago não fazia ideia do quanto Júlia havia se dedicado a ele.
Não apenas buscando sempre uma forma de entrar na empresa, mas também cuidando das tarefas domésticas.
Especialmente o quão devotada ela era com sua avó.
Isso já bastava.
No dia da alta hospitalar de Dona Helena, Sérgio pediu que Juliano avisasse Júlia.
"Senhora, o Diretor Santana avisou que passará na sua casa amanhã às duas da tarde para levá-la ao hospital. A propósito, poderia me adicionar de volta no WhatsApp para facilitar a comunicação de trabalho, OK?"
A mensagem vinha acompanhada de um emoji sorridente.
Júlia já havia bloqueado o número de telefone dele também.
Pouco depois, o próprio Sérgio ligou.
Júlia não sentiu a menor alegria por uma ligação de Sérgio.
Ao contrário, não sentiu muita vontade de atender.
Mas lembrando-se de que a avó receberia alta amanhã, ela pressionou o botão de atender:
— Alô.
Sérgio informou:
— Amanhã às duas da tarde, na mansão.
Se fosse antes, Júlia com certeza concordaria prontamente e ainda passaria horas se arrumando antes de sair.
Mas agora, ela não queria se encontrar muito com Sérgio.
— Não é necessário, eu vou sozinha. Nos vemos às três, na porta do hospital.
Sérgio não recusou, pelo contrário, achou que lhe pouparia trabalho.
Ele apenas recomendou:
— Não chegue atrasada, não gosto de esperar pelos outros.
Júlia não disse nada, apenas apagou a tela do celular silenciosamente.
É claro que ela sabia que Sérgio não gostava de esperar.
Por volta das seis da tarde, o grupo retornou à antiga propriedade da família.
Dona Helena não os liberou de imediato; em vez disso, segurou as mãos de Júlia e de Sérgio:
— Não vão embora. Venham morar aqui por um tempo, encarem isso como se estivessem cuidando de mim.
A senhora idosa expressou o seu desejo.
Júlia e Sérgio também não conseguiram recusar.
Sérgio assentiu concordando:
— Entendido.
Júlia sabia que ele atenderia a todos os pedidos da avó.
Tudo porque os pais de Sérgio haviam falecido cedo.
A partir dos doze anos, ele fora criado por sua avó naquela mansão.
A casa antiga possuía muitos quartos, garantindo forte privacidade.
Ao entrar no quarto, Sérgio, por hábito, afrouxou a gravata, abriu os braços e esperou que Júlia viesse guardar sua roupa.
Esperou por um bom tempo e ninguém apareceu.
Ao se virar, viu Júlia no telefone com seu agente, falando de trabalho.
Sérgio a chamou:
— Jú...
Júlia nem sequer olhou para ele, passando direto:
— A vovó não comeu quase nada hoje à noite, vou preparar algo para ela.

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