Ao longo desses anos administrando a Oceano, Sérgio já havia se acostumado a ver todos agindo com o maior respeito diante dele.
Ao ver-se sendo ignorado por Júlia, sentiu um incômodo no coração.
Por isso, também saiu atrás dela.
Júlia entrou na cozinha, pegou um avental e o vestiu.
Sérgio sempre soube que Júlia era bonita.
Mas para ele, a 'beleza' era apenas um rótulo inútil.
Afinal, beleza não enche barriga.
Sérgio pensava assim, enquanto observava a pessoa sem piscar um olho.
A pessoa parada na cozinha estava com o longo cabelo preso, mas algumas mechas caiam sobre os ombros, balançando suavemente de acordo com seus movimentos.
Sob a luz amarelada e quente, Júlia parecia brilhar por completo.
O maxilar bem delineado fazia o seu perfil parecer quase perfeito.
Mesmo sem maquiagem, era uma aparência digna de ser capa de revista.
Júlia virou a cabeça e viu Sérgio logo atrás. Franzindo a testa, perguntou:
— O que está fazendo parado aí?
Sérgio virou o rosto, serviu-se de um copo de água fria e tossiu levemente duas vezes:
— Vim ver se precisava de ajuda.
Hã?
Júlia lançou-lhe um olhar perplexo.
Justo ele?
Ele sequer sabia para onde abria a porta da cozinha?
Júlia disse 'não precisa' e passou diretamente a pegar a carne de porco picada, misturou uma quantidade adequada de castanhas picadas, e depois marinou com gengibre e cebolinha por alguns instantes.
Sérgio ficou observando o tempo todo.
Até que Júlia percebeu que a pimenta preta estava no armário de cima.
A mansão antiga tinha o teto alto. Ela tentou esticar o braço, mas não alcançou.
Ficou na ponta dos pés, deu um pequeno salto e ainda assim não conseguiu alcançar...
Sérgio bebeu água devagar, não fazendo nenhuma menção de ajudá-la.
Ele apenas via Júlia pular, fazendo as pontas do cabelo no alto da cabeça tremerem.
Parecia um coelho de duas pernas tentando alcançar uma cenoura.
Júlia escutou com atenção por um instante e percebeu que Sérgio não havia ido embora. Sentiu que estava servindo de piada para ele.
Por isso, ela se virou e o encarou furiosa.
Sérgio ergueu levemente as sobrancelhas:
— Você não disse agora há pouco que não precisava de ajuda?
Júlia mordeu o lábio, sem dizer uma palavra.
Sérgio já havia se aproximado.

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