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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 115

Quanto às ações que Armando detinha, não havia sequer a possibilidade de transferi-las para Ayla. Parte daquele percentual pertencia ao Sr. Heitor, algo fora de sua alçada, e a Sra. Elena podia retomá-las a qualquer momento.

Ayla lançou um olhar rápido ao contrato de cessão. Só depois de alguns segundos voltou a falar:

— O Gustavo me disse que seria metade das ações. Foi por isso que eu voltei à empresa trazendo um novo projeto.

Enquanto falava, abriu a bolsa e retirou dali uma pasta. Era, de fato, uma proposta de projeto — justamente aquele que o Grupo Siqueira tentara conquistar várias vezes, sem sucesso.

O valor beirava um bilhão. Se a empresa conseguisse fechar aquele contrato, todas as perdas anteriores se tornariam irrelevantes, e o processo de abertura de capital avançaria a passos largos.

Os olhos de Armando e Gustavo brilharam ao mesmo tempo. Armando chegou a estender a mão, ansioso para pegar o material.

Mas Ayla o recolheu no último instante. Ergueu levemente a sobrancelha e soltou um suspiro contido.

— Mas, pelo visto, é uma pena. Se a disposição das duas partes não é equivalente, não vejo motivo para continuarmos perdendo tempo. Pelo menos eu não vim em vão. A partir de hoje, estou oficialmente desligada do Grupo Siqueira.

Assim que terminou de falar, colocou o crachá e os objetos corporativos sobre a mesa, à frente de Armando.

O rosto dele perdeu a cor. Ayla não lhe deu chance de reagir. Levantou-se e seguiu em direção à porta.

Gustavo se apressou e segurou o braço dela.

— Lalá, por que agir com tanta impulsividade? Não podemos conversar com calma? Somos uma família. Você não podia dar um pouco de consideração ao meu pai?

— Não quero repetir o que já foi dito — respondeu Ayla, sem elevar a voz. — Qualquer parceria exige boa-fé. Você me prometeu cinquenta por cento das ações. Isso não é uma diferença pequena. Se eu ceder agora, como vou saber se, no futuro, quando eu me dedicar de corpo e alma à empresa, não vou ser enganada ou usada outra vez?

As palavras de Ayla foram duras, afiadas, indo direto ao ponto. Gustavo ficou sem resposta por um instante.

— Ayla! Isso já é demais. Como assim nos acusar de te prejudicar?

— Chega.

A mão de Armando se fechou em punho e bateu com força sobre a mesa.

Ainda assim, anos de experiência no mundo dos negócios falaram mais alto. Ele conteve o descontrole com rapidez.

— Ayla, você está me ameaçando?

A voz saiu baixa, carregada de ira. A cordialidade forçada de antes desapareceu por completo. Em questão de segundos, o ar no escritório ficou pesado, como se algo estivesse prestes a explodir.

Gustavo entrou em pânico. Não conseguia entender por que Ayla ainda insistia em endurecer.

O pai já tinha cedido mais do que nunca — algo impensável antes — apenas por causa da empresa e daquele projeto.

Em outras circunstâncias, não importava o quanto Ayla se humilhasse ou tentasse agradar. Armando mal lhe lançaria um olhar.

Com esse pensamento, Gustavo se inclinou e falou em voz baixa, perto do ouvido dela:

— Ayla, o meu pai já abriu uma exceção enorme. Ele te deu uma saída honrosa. Aproveita enquanto dá tempo, entrega logo o projeto. Daqui pra frente, tanto em casa quanto na empresa, ele vai passar a te respeitar mais.

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