Bastou um breve cruzar de olhares para que Ayla compreendesse exatamente o que ele queria dizer.
— Tia Alexandra, tio Fausto. Jamais esquecerei tudo o que a família Ribeiro e a Isadora fizeram por mim no passado. Se um dia surgir a chance de retribuir, não hesitarei.
Diferente da frieza de sempre, Daniel falou com uma rara suavidade, mas logo tomou outro rumo:
— No entanto, essa retribuição não deve e não será construída sobre qualquer laço pessoal entre mim e Isadora. Não quero alimentar novos mal-entendidos nem abrir espaço para desgastes desnecessários.
A firmeza nas palavras de Daniel foi como um bloqueio. Alexandra e tio Fausto engoliram seco. De repente, pareceram eles os insistentes, os irracionais.
— Isadora, qualquer coisa que queira dizer, pode falar aqui mesmo. Lalá é minha esposa. Não existe nada que eu não possa dividir com ela. Mas, se ainda assim achar desconfortável...
Ele virou o rosto e fez um leve gesto para trás.
— O Enzo pode cuidar de qualquer coisa que você precisar.
As palavras soaram como uma sentença. Isadora sentiu o rosto arder, como se tivesse sido humilhada diante de todos. As lágrimas se acumularam nos olhos, e o corpo inteiro tremeu.
Tinha dado tudo de si, e nem alguns minutos a sós ele era capaz de lhe conceder?
Segurou o choro com todas as forças e forçou um sorriso que mal conseguiu formar nos lábios.
— Daniel, você não precisa me tratar como se eu fosse uma ameaça. Só queria dizer que...
Respirou fundo e concluiu, engolindo a dor:
— O que passou, passou. De agora em diante, somos apenas amigos. Eu só queria que, quando a gente se encontrasse, você não agisse assim, como se eu fosse um monstro prestes a te engolir.
Ver a filha naquele estado fez o coração de Alexandra se retorcer de dor.
Tio Fausto, por sua vez, mantinha o rosto fechado, lábios contraídos, desviando o olhar para o lado.
A postura de Daniel era clara: ele não pretendia se apegar ao passado. Mesmo com todo o ressentimento engasgado na garganta, nenhum dos dois ousou responder.
Temiam que qualquer palavra piorasse a situação.
— Está se preocupando à toa.
A voz dele saiu baixa, mas firme.
E por um instante, ao encarar a dor evidente no rosto de Isadora, um leve traço de hesitação cruzou seu olhar.
Vendo a situação, Ayla tomou a palavra por ele, com um sorriso leve:


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