"José Miguel"
Quando entramos na cozinha, a Candinha e a Berta já tinham a mesa pronta e olhavam algo no celular que as fazia rir. A cozinha, diferente do resto da casa, era clara, arejada e smpre estava com as portas e janela abertas, porque a Candinha não tolerava que a Carmem se metesse lá e a Carmem preferia ser servida.
- Acho que nós precisamos de ar fresco e uma bebida antes de pensar na comida. - O Matheus sugeriu nos direcionando para o quintal.
- Tem razão! - Eu concordei e me encostei perto da churrasqueira ao lado do Matheus, enquanto observava as garotas, a Candinha e a Berta se sentarem perto da piscina. - Eu deveria pedir a Berta para subir e verificar a Carmem, mas estou com pena de mandar a coitada naquele fedor. - Eu comecei a rir, não conseguindo mais me conter.
- Não precisa se preocupar. Eu dei um brinquedinho para a Berta, depois que a Carmem escapou e ela está de olho. - O Matheus respondeu e eu olhei para ele entre surpreso e preocupado.
- O que você fez, cachorrão? - Eu quis saber.
- Ah, nada demais. A Candi me contou os detalhes do escape da bruxa na vassoura, aí eu me lembrei de um dispositivo que o Enzo tinha me contado que a Lince produz, com um aplicativo super eficiente, e a mãe dele usa para vigiar os cachorros. Eu perguntei para o Enzo, ele me arranjou um e ontem eu trouxe para a Berta. Toda vez que alguém passa pela porta do quarto da Carmem, a Berta recebe um alerta no celular e ela pode abrir a câmera e ver o que está acontecendo no quarto a qualquer momento. - O Matheus explicou.
- Matheus, você deu um jeito de colocar uma câmera no quarto da Carmem? Cara, que curiosidade é essa? - Eu balancei a cabeça e ele riu.
- Não é curiosidade porque só o Berta e a Candinha têm acesso a câmera. Mas é legal, não é? A gente vai poder ver e ouvir os planos maquiavélicos da nascida do inferno e ver o que ela tanto faz trancada naquele quarto. - Ele sorriu. - Mas a verdade, Rossi, é que assim fica menos difícil para a Berta e a Carmem não vai conseguir escapar e ir atrás da Evita para aprontar.
- Tá, admito que é uma boa idéia, mas é invasivo, cachorrão!
- Rossi, é um dispositivo para a segurança da própria demônia de botox. Nós até podemos decidir se vamos impedir que ela tome um frasco inteiro de dipirona ou não!
- Sei. E você vai me dizer que aquelas quatro estão olhando para o celular na mão da berta e rindo só porque querem evitar que a Carmem tente se matar de novo? - Eu observei as garotas até se engasgarem de tanto rir.
- Bom, mas aí também a gente é humano e pecador! - O Matheus jogou as mãos pra cima. - Uma coisa não impede a outra e o que vale é a intenção.
- Uhum! E a intenção de vocês hoje por acaso tem alguma coisa de apimentada ou desarranjada?
- Ah, meu amigo, aí eu não tenho culpa se a Carmem tomou uma colherada do próprio veneno! Quer saber, isso aí pra mim é justiça divina! - O Matheus colocou o braço em meus ombros. - Olha, Rossi, olha como elas são lindas! Eu faria qualquer coisa por esse sorriso da minha Peste. Por acaso você não acha que o sorriso da Evita vale à pena?
- Tudo na Evita vale a pena, Cachorrão. E se eu estou me fazendo de bobo sobre o que aconteceu hoje é porque o meu amorzinho merecia essa revanche e tinha todo direito de colocar a Carmem no lugar dela.
- É assim que se fala! - O Matheus deu um tapinha nas minhas costas e nós fomos nos juntar as garotas.
Depois que a Carmem se recolheu e nós fomos para a cozinha, nós passamos horas muito agradáveis naquela casa. As garotas vez ou outra olhavam para a tela do celular da Berta e riam da irritação da Carmem que teve que tomar alguns banhos por causa da dor de barriga.
A Candinha precisou esquentar o jantar, mas as garotas a ajudaram enquanto conversavam e a nossa refeição foi divertida e cheia de histórias alegres. Eu notei que a Berta e Candinha estavam se dando muito bem e me chamou a atenção em como isso foi rṕapido. Mas a irritação da Berta com a Carmem era notável. Depois que a Berta e a Candinha se despediram a Eva e o Matheus se viraram pra mim com os olhos brilhando e eu sabia que eles teriam um grande pedido.
- Não, não me importo não! - Eu respondi dando a eles o que queriam e a Eva e o Matheus bateram as mãos no ar. - Gabizinha, minha linda, me diz uma coisa, você é barulhenta como a sua amiga aqui? - Eu perguntei e a Gabriele ficou vermelha.
- Éééé... o quê...? É, barulhanta? Eu... eu não acho que... - A Gabriele estava claramente sem graça.
- Não se faça de boba, Peste! O que o Rossi perguntou e que eu estou louco pra saber também é se você vai ficar calada, gemer ou gritar enquanto eu estiver adorando esse corpinho. - O Matheus passou a mão pela perna dela e o olhar dele sobre ela era mais claro que um convite formal impresso. Mas ele não esperou a resposta. - Não, esquece, tenho certeza que nenhum outro vai te fazer gritar como eu vou! Tenho loucuras pra te mostrar, Peste linda!
- Carrapato! - Ela afundou na cadeira cobrindo os olhos com as mãos e nós estávamos rindo.
- Está bem, crianças, vocês têm permissão para assombrar a Carmem essa noite. Acho que depois do que ela fez com a Eva e todas as mentiras que ela contou, é o mínimo que ela merece. - Eu afirmei e fiquei de pé. - Cachorrão, você conhece a casa fique à vontade. Vem, amorzinho, eu vou colocar um sorriso permanente nesse rostinho lindo agora!
Eu peguei a Eva pela mão e a levei comigo. Quando passamos pela sala o mau cheiro ainda estava lá e nós começamos a rir e no andar de cima eu só pude agradecer pelo quarto da Carmem ficar a duas portas do meu.
- Você vai me contar o que fez? Porque eu me lembro de ter lido uma notícia ou outra sobre alguém que teve um desarranjo intestinal muito semelhante ao da Carmem numa festa da farmacêutica da sua família. - Eu perguntei a Eva enquanto caminhávamos até a porta do meu quarto.
- Depende do tamanho do sorriso que estiver no meu rosto quando eu acordar. - A Eva respondeu e me fez rir.
- Eu vou me certificar de que será enorme! - Eu a puxei para dentro do quarto e tranquei a porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...