"Matheus"
Assim que o José Miguel e a Eva saíram da cozinha eu me virei para a Gabriele. Ela estava tentando não olhar para mim, chegava a ser fofo o quanto ela estava sem graça. Eu tamborilei os dedos sobre a mesa e a encarei, um sorriso brilhando em meus lábios e a dúvida cutucando a minha mente.
Havia um conflito em mim, eu gostava da companhia da Gabriele e não queria perder isso por causa de uma noite de sexo, mas eu sentia um tesão louco por aquela Peste e a atração que eu sentia por ela era quase insana. E, por isso, eu ainda não tinha decidido o que eu queria mais, ser amigo dela ou cair nos seus braços por uma noite, porque eu sabia que se fizesse sexo com ela, as coisas mudariam e eu tinha certeza que ela se afastaria.
- Olha, Carrapato, a noite foi bem divertida, mas ficar aqui eu acho que é desnecessário, a Evita vai fazer a cobra de botox ter certeza do que está acontecendo no quarto do Rossi. - A Gabriele falou enquanto brincava com um ponto invisível na toalha de mesa.
- Pode ser, mas o quarto do Rossi fica meio afastado do quarto da invocação do mal. Além do mais, aquela enviada de satã me odeia e proibiu a minha presença nessa casa, dá pra imaginar como ela vai ficar por eu dormir aqui?
- É, mas eu não preciso ficar. - Ela deu de ombros.
Meus olhos estavam queimando sobre a Gabriele e eu tinha certeza que ela sentia a intensidade do meu olhar.
- Qual o problema, Peste? Você já dividiu a cama comigo e diga-se de passagem, suas mãos se aproveitaram do meu corpinho e quase arrancaram a minha cueca. Está com medo de não resistir a minha gostosura?
- Você é um convencido! - Ela se virou para me encarar. - E eu não arranquei a sua cueca, não tenho culpa se você se mexe como um lagarto na brasa quando está dormindo e sua cueca escorregou até a metade do seu traseiro.
- Aham! - Eu peguei a mão dela e a deslizei pelo meu quadril como ela fez quando achou que eu estava dormindo. - E essa mãozinha deslizando desse jeito pela minha tatuagem é porque você lê em braile?
Ela me encarou com os olhos arregalados, ela realmente achava que eu tinha conseguido dormir com ela na minha cama usando nada além de uma calcinha e um sutiã minúsculos. Ou ela era muito inocente ou ela não tinha consciência do poder de sedução que tinha. Ela puxou a mão da minha e quebrou o nosso contato visual.
- Qual é a sua e do Rossi com essas tatuagens? - Ela perguntou só para desviar o foco da conversa.
Ela tentava fingir que não estava atraída por mim, mas ela era transparente demais, era aquele tipo de pessoa que não conseguia esconder o que sentia, as emoções dela passavam pelo seu rosto e era muito simples saber o que ela estava sentindo e isso me fazia odiar o idiota do Elias por magoá-la, porque ele com certeza sabia o que ela sentia.
Eu peguei a mão dela e coloquei sobre o meu peito, passando sobre o local onde estava a tatuagem em latim "decisiones fata determinant", em letra preta cursiva e tamanho suficiente para que eu lesse quando me encarasse no espelho.
- Esta, minha primeira tatuagem, eu fiz para que eu me lembre sempre que decisões moldam o destino. Eu quero sempre tomar as melhores decisões, não só pra mim, mas para quem está a minha volta. - Eu expliquei e ela deslizou os dedos como se tocasse as letras, seus olhos acompanhando. Então ela puxou a mão e eu ri. - Vamos subir, Peste, vou te contar de cada tatuagem. - Eu fiquei de pé e ofereci a mão para ela, mas ela me olhou em dúvida. - Gabi, eu tenho um plano muito divertido para atazanar a nascida do inferno e você vai gostar de participar.
- Tá! Eu fico! Mas só pra ajudar a Evita e porque nós estamos juntos nessa para proteger o nosso casal! - Ela colocou a mão na minha e eu a puxei de uma vez para o meu peito. - É isso aí, Peste! Agora nós vamos subir aquela escada rindo e murmurando como um casalzinho apaixonado!
Nós subimos as escadas aos risos e quando nós paramos na porta do quarto eu dei uma olhadinha para a porta do Rossi, era melhor que um pesadelo, com certeza, mas era mais um fator para me manter acordado.
- A Evita é realmente barulhenta! - Eu cochichei com a Gabi e ela deu uma risadinha.
Dessa vez eu não ficaria no quarto ao lado do quarto do Rossi, a Candinha já tinha deixado preparado pra mim o quarto ao lado do quarto da invocação do mal. Ia ser perfeito! Assim que entramos eu tranquei a porta, não ia arriscar a Carmem vir me matar sufocado com o travesseiro no meio da noite.
Eu me virei e vi a Gabriele sentada na cama esfregando as mãos. Ela ainda não sabia o que iríamos fazer. Eu joguei o paletó e a gravata que eu já havia tirado sobre o banco aos pés da cama e caminhei até a Gabriele abrindo os botões da camisa.
- E então, o que nós vamos fazer? - Ela perguntou toda inocente e eu sorri enquanto parava em sua frente e me abaixava para falar quase grudado a boca dela.
- Nós vamos fazer o mesmo que o Rossi e a Evita, barulho! - Eu sussurrei e ela arregalou os olhos, se arrastando sobre a cama para se afastar de mim.

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