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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 126

"Berta"

Eu fiquei olhando para ela chocada, sempre me chocava perceber como as pessoas más se escondiam atrás de uma denominação religiosa qualquer só para fingirem que eram perfeitos e santos, passavam de bonzinhos porque erguiam seus terços e suas bíblias, invocavam o Santo Nome de Deus para as suas pataquadas e quando achavam que ninguém estava olhando cometiam atrocidades.

- O que você está olhando, inútil? - Ela me perguntou irritada.

- Só estou pensando, Urtiguinha, como uma pessoa que tem tanta fé como você, vive ligando para o coitado do padre, vai a igreja toda semana, como você pode ter tentado se matar? Isso é um pecado gravíssimo! Só por isso Deus pode te mandar para o purgatório e dizem que lá é tão ruim quanto o inferno. - Eu sabia que ela não esperava por isso, assim como eu sabia que ela nunca tentou se matar, porque essa mulher gostava demais da vida para se matar.

- Ah, Inútil, eu carrego uma dor enorme no peito! Perdi minha filha e meus netos numa tragédia e o assassino está vivendo como se não tivesse feito nada! Ele deveria estar trancado aqui nessa casa comigo, sofrendo o seu próprio calvário, mas não, ele está fornicando por aí com qualquer uma! - Ela falou como se fosse uma injustiçada e bocejou.

Eu escondi o riso, o meu chazinho não demoraria a fazer efeito.

- Sabe, Urtiguinha, você tem que se arrepender dos seus pecados. Você peca muito!

- Eu sou uma santa, sua inútil, uma santa! - Ela esbravejou em meio a outro bocejo e eu bocejei também.

- Santa nada, você tentou se matar, você não sabe perdoar, você deseja a infelicidade para o seu próprio genro que se preocupa com você, você cobiça o homem da próxima...

- Que homem da próxima? Você é delirante! Eu sou uma mulher virtuosa, não cobiço homem nenhum! - Ela deu mais um bocejo e sua voz estava pastosa já.

- Cobiça sim, Urtiguinha! Eu já notei como você come o Matheus com os olhos. Mas também, ele é um monumento! É ou não é? Igual ao patrão, um homão lindo demais! - Eu dei um tapinha no ombro dela, ela já estava semi cerrando os olhos.

- Aquele demônio! É, bonito ele é, com aquele aquele corpo perfeito, aquele sorriso cafajeste que cai tão bem nele... - Ela começou a falar como se tivesse esquecido com quem estava conversando, mas subtamente se lembrou. - Mas ele não vale nada!

Ela já estava mais pra lá do que pra cá, mas tentou se manter acordada e quando ela olhou pra mim eu estava de olhos fechados e até fingindo roncar, só para criar nela a ilusão de que tinha conseguido me vencer. Ela tentou se levantar, mas nem chegou a ficar ereta e voltou a se sentar.

- Eu, hein?! Esse chá me relaxou mesmo. Acho que ainda tenho um tempinho. - Ela falou para si mesma e deu um sorrisinho, depois me cutucou com o dedo mole. - Inútil! Inútil! - Ela insistiu e riu. - Deu certo, a inútil dorm...

- Ah, mas que interessante! A invocação do mal usa o nome da morta, olha isso! E como está a nossa locatária do inferno?

- Você vai fazer essa mulher ter que raspar o pouco cabelo que tem naquela cabeça, Matheus! - Eu ri. - Vou te mandar uma foto. Ela coçou por mais de uma hora e meia e está toda vermelha, eu falei com ela que ela está muito estressada, por isso está coçando. Mas ela está simplesmente insuportável hoje! Mas está divertido. - Eu contava enquanto ele ria.

- Bertinha, minha linda, você é maravilhosa demais! Vou te mandar um agrado. Quando esse show acabar vou te levar para trabalhar na minha casa, pode ter certeza!

- Olha, isso que é subir na vida! - Eu sorri.

- Agora eu preciso ir, estou quase conseguindo recuperar aquela poltrona horrorosa em formato de sapato. Vai descansar um pouco enquanto a esposa de satã dorme.

- Tá bom, querido, boa sorte aí na sua busca ao tesouro.

Eu desliguei o telefone, tomei um café com a Candinha e fui descansar mesmo. Quando estivesse na hora que eu calculei para o fim do efeito do remédinho que eu tinha dado para a chata da Carmem, eu voltaria para aquele quarto, me sentaria ao lado dela e fingiria estar dormindo.

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