"Berta"
Assim que a Carmem chamou o chaveiro eu olhei preocupada para a Candinha, mas o sorriso disfarçado que ela me deu me disse que ela sabia o que fazer, mesmo assim eu fiquei atenta. Quando o chaveiro chegou eu subi as escadas atrás dele e da Carmem, já pensando em como fazer cópias das novas chaves dela. A mulher estava tão louca de raiva que mandou mesmo o chaveiro instalar não uma, mas duas tetrachaves na porta, além de trocar a chave original.
Eu só observei tudo e fiquei de olho para ver onde aquela megera ia esconder as chaves, porque assim que eu a colocasse para dormir eu as pegaria para fazer as cópias. Quando o chaveiro terminou, ele cobrou uma fortuna da megera pelo serviço e, diante da reclamação dela, ele explicou que era a taxa de urgência. Eu tive vontade de rir, ela gostava que todos a servissem imediatamente, mas não gostava de pagar pela urgência. Eu queria só ver quando a oficina apresentasse a fatura do conserto do carro.
- Cândida, leve esse chaveiro até o portão, quando voltar sirva o meu almoço. - A Carmem ordenou assim que voltamos para a sala.
Ela era assim, arrogante, se achava superior aos outros, tinha um tom imperativo o tempo todo, nunca fizia as palavras mágicas: por favor e obrigada. Pensava que o mundo a devia alguma coisa.
A Candinha levou o homem até o portão e eu logo recebi uma mensagem dela no celular dizendo que já tinhas as cópias das novas chaves da porta da Carmem. A Candinha era esperta, mas como ela conseguiu isso eu não tinha idéia.
Quando ela voltou ela serviu o almoço da megera, que ficava irritada por eu me sentar a mesa e comer com ela, mas eu nem ligava.
- Eu gostaria muito de saber porque você insiste em contrariar as minhas ordens, infeliz. - Ela me perguntou outro vez.
- Urtiguinha, a única infeliz nessa casa é você. Eu sou muito feliz, a Candinha é muito feliz, o patrão José Miguel então, esse é o mais feliz de todos, mas também tem aquela namorada linda, não tem como ele não ser feliz. - Eu respondi sabendo que ia irritá-la.
- Cala boca, sua atrevida! Não me provoca ou eu te coloco pra correr daqui. - A Carmem estava irritada, mas eu até podia entender, eu também estaria irritada se meu cabelo estivesse aquele grude.
- Urtiguinha, a única pessoa que pode me mandar embora é o patrão José Miguel e foi ele quem me mandou ficar juntinho de você o tempo todo. Mas ele está muito feliz com o meu trabalho, porque eu não deixo você fingir que tenta se matar, sendo assim, ele não vai me mandar embora. E, sendo assim, Urtiguinha, nós estamos unidas para tudo nesta vida, para nossa alegria! Menos para as dores de barriga, nessas eu te deixo sozinha. - Eu dei a ela o sorriso mais cínico do mundo e ela esbravejou como uma vaca brava.
Depois do almoço ela ficou na sala um pouco, sempre olhando o relógio, ela estava ansiosa para dar o bote, mas eu já estava esperando.
- Você está muito irritada hoje, Urtiguinha, devia tomar um chá de erva cidreira, é muito bom pra acalmar. - Eu me antecipei e dei a ela tudo o que ela precisava.
Normalmente eu não iria e diria para ela mesma fazer isso, mas eu sabia que ela queria era tempo para despejar o remédio na minha xícara, então eu fui até o banheiro, mas não troquei nada, apenas completei os frascos com as coisas que o Matheus tinha preparado e coloquei as coisas novas dela no lixo, afinal ela merecia mais um dia de cabelo ruim. Enquanto eu fazia isso eu via pela tela do celular o que ela estava fazendo, tão previsível, pingou o remédio na minha xícara, verificou a dela se estava limpa e fez uma careta para o meu chá de boldo. Ah, se ela soubesse os benefícios do boldo!
- Você tem certezas, Urtiguinha, que não é melhor trocar a marca do shampoo que você usa? - Eu falei ao sair do banheiro, ela estava acabando de encher as xícaras com água.
- Eu uso esse shampoo há anos! Eu tenho certeza de que alguém entrou no meu quarto essa noite e você sabe quem foi, mas é claro que não vai falar, você está aqui para me enlouquecer. Quem toma chá de boldo, inútil? - Ela fez uma careta para a minha xícara de chá.
- Eu tomo, é um ótimo digestivo. Mas fica com o seu de erva doce, porque você está muito nervosa.
Eu me sentei e beberiquei o meu chá, sorvendo lentamente, o gosto amargo do boldo descendo pela minha garganta parecia até menos amargo só de pensar na diversão que eu teria quando essa chata dormisse.
Ela tomou o chá todinho, ligou a televisão, colocou no canal religioso e pegou o terço, começando a contar as bolinhas, enquanto repetia a oração. Aquilo era uma blasfêmia! Uma pessoa ruim como ela, não seguia os princípios cristãos, apenas usava a fé em seu benefício próprio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...