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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 148

"José Miguel"

Eu dormi na cama da Eva por horas e era tudo o que eu precisava para limpar os meus pensamentos, um bom descanso e um pouco da presença dela, mesmo que fosse só a presença que o quarto dela representava. Eu saí da cama e fui até o banheiro, joguei uma água no rosto e vi as coisas dela espalhadas pela bancada, um sorriso se abriu nos meus lábios. Ela ia voltar, não importava o tempo que levasse, mas ela ia voltar pra mim.

Eu saí do quarto e encontrei a Marta rindo com o Matheus e a Gabriele na sala. Assim que me viu ela se levantou e me abraçou, um tipo de abraço reconfortante que assegura que tudo vai dar certo.

- Vocês ficam para jantar comigo e não aceito não como resposta. - A Marta avisou com aquele sorriso que deixava todo mundo confortável e à vontade.

- Eu não vou recusar! - Eu dei um pequeno sorriso para ela e ela me fez me sentar e me ofereceu um café.

Nós quatro tivemos um tempo agradável, a Marta contou histórias sobre a infância da Eva e sobre como eles tiveram tempos difíceis depois que ela se divorciou do pai dos filhos. A saudade da Eva estava ardendo ali no meu peito, mas eu estava me sentindo renovado e seguro de que isso seria resolvido muito rápido. Mas eu também tinha outras coisas a resolver e até a Eva sair do esconderijo dela, até ela estar pronta para voltar, eu cuidaria do resto dos problemas.

- Obrigado, Marte! Eu precisava disso. - Eu declarei ao me despedir.

- Você está em casa aqui, José Miguel, venha quando quiser. - Ela ofereceu e eu aceitei a oferta.

- Você vai para a minha casa, Rossi, não vou te deixar sozinho naquele apart. - O Matheus declarou assim que entramos no carro. - Até a Evita voltar, nós três vamos ficar juntos.

- Talvez seja melhor mesmo. - Eu concordei.

- E o que você vai fazer até ela voltar? - A Gabriele perguntou.

- Vou limpar a bagunça. Começando pela Salma. - Eu respondi com determinação. - Mas isso vai ser na segunda. Esse fim de semana eu vou expulsar minha hóspede indesejada.

- Olha só, Rossi, eu tenho uma idéia melhor. - O Matheus me olhou pelo retrovisor. - Eu consegui de volta aquela poltrona horrorosa da vadia morta, está lá em casa, entregaram hoje, e eu tenho uma sensação de que o volume um do diário está nela.

- Por que você pensa isso? - Eu franzi as sobrancelhas.

- Porque a Candi me contou que a morta passava horas naquela coisa horrível e não deixava ninguém tocar nela, nem para limpar. - Ele explicou. - Além do mais, eu tenho um caderninho da nascida do inferno para ler.

- Um caderninho? - Eu esfreguei os olhos, porque eu sabia que o Matheus tinha aprontado alguma. - E como você conseguiu esse caderninho?

- Ah, longa história. Você quer saber mesmo? - Ele me encarou pelo retrovisor e eu o conhecia bem para saber que eu não aprovaria seus métodos.

- É, eu quero saber mesmo! Mas só amanhã, hoje eu tenho que falar com outra pessoa. - Eu declarei. - E vocês também precisam descansar.

Assim que chagamos à casa do Matheus eu dei boa noite ao casal e me recolhi ao quarto de hópedes que sempre usava quando estava ali. O Matheus dizia que era o meu quarto e realmente parecia ser, tinha até coisas minhas ali. Então eu tomei um banho e me sentei na cama, peguei o celular e liguei.

- Boa noite, José Miguel. Como você está? - A voz serena do Nelson soou do outro lado da linha e ao fundo eu podia ouvir um jazz suave tocando.

Havia uma verdade enorme ali, porque eu mesmo não tinha certeza dos sentimentos dela por mim, embora soubesse que ela sentia algo grande. Ela enfrentou o meu passado, a Carmem, por mim!

- Eu terei isso em mente quando tornar a vê-la. - Eu declarei resoluto.

- E como você se sente sobre o diário?

- Com vontade de matar a piranha defunta! - Eu confessei e ouvi uma grande gargalhada do outro lado, uma gargalhada que me fez rir também, um riso que eu precisava e um riso que me mostrava o quanto eu estava mais leve em relação a Cora. - É sério, Nelson, num momento de raiva mais latente eu cheguei a cogitar ir ao cemitério, desenterrá-la e ter o prazer de apertar o pescoço dela.

- Eu entendo, você estava em um luto muito profundo e esse sentimento é uma necessidade de justiça e fechamento. Isso é perfeitamente normal, desde que você realmente não vá desenterrar um cadáver. - Ele brincou e me fez rir mais um pouco.

- Não, eu não vou. Mas talvez eu mande queimar os ossos só pra garantir que ela não saia do túmulo para me infernizar de novo e isso é uma alternativa totalmente legal e aceitável! - Eu declarei. - Eu odeio aquele túmulo, construído como se para festejar a minha dor. Eu estou pensando seriamente em desfazer aquilo.

- Olha, isso pode ser uma boa idéia. Transferir os restou para outro lugar, se livrar desse túmulo que, pelo que você já me contou, serviu de muitas maneiras para avivar a sua dor. - O Nelson concordou e uma idéia estava tomando forma ali. - E talvez seja a sua forma metafórica de fechar o ciclo e encontrar a paz.

Eu respirei fundo, absorvendo as palavras e pensando sobre aquilo. Eu conversei com o Nelson por mais alguns minutos e quando encerrei a chamada eu me sentia bem melhor e mais esperançoso. Mas antes de me deitar e tentar doprmir um pouco eu tentei mais uma vez ligar para a Eva, mesmo já esperando que a chamada não fosse atendida.

A caixa de mensagens dela já estava cheia com as minhas mensagens, mas eu queria que, quando ela ligasse o maldito telefone, ela soubesse que eu tinha pensado nela em cada segundo do tempo que ficamos afastados. Então eu enviei mais uma mensagem para o aplicativo dela. Ela provavelmente levaria uma semana ou mais para ler e ouvir tudo o que eu tinha deixado pra ela naquele celular.

Só depois disso eu coloquei o celular sobre a mesinha de cabeceira, com a nossa playlist tocando baixinho e adormeci com imagens da Eva dançando na minha cabeça.

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