"José Miguel"
Eu acordei para uma manhã ensolarada de sábado, com algumas decisões já tomadas, mas a primeira coisa que fiz foi tentar falar com a Eva outra vez e deixar mais uma mensagem. Depois, eu apareci na cozinha e encontrei não apenas a Gabriele e o Matheus, mas a Candinha também.
- Bom dia, belo adormecido, eu já estava pensando em fazer o sacrifício de ir lá te dar um beijinho para te despertar do soninho de beleza. - O Matheus sorriu.
- Ah, sei, está se achando príncipe. - Eu ri e olhei para a Gabriele. - A culpa é sua, porque antes ele se achava o lobo mau.
- Ele ainda é o lobo, Rossi! - A Gabriele olhou derretida para o Matheus.
- Candinha, que saudade! - Eu dei a volta na mesa para abraçar a Candinha. - Seus dias naquela casa estão contados, Candinha. Vou te tirar de lá.
- Tenho que dizer que vai ser um alívio pra mim, detesto aquela casa. - A Candinha me segurou no seu abraço um pouco mais. - Como você está?
- Melhor do que pensei. Eu não vou desistir dela, ela vai voltar pra mim e essa certeza me mantém calmo. - Eu garanti e me sentei para tomar o café da manhã.
- É assim que se fala, bonitão! - O Matheus bateu no meu ombro. - E você precisa comprar uma casa aqui perto da minha, nossas garotas vão gostar de morar pertinho. - Eu gostava dessa idéia.
- De quem você está falando, Carrapato? - A Gabriele deu um olhar para o Matheus que deixaria qualquer um com medo, mas ele apenas sorriu.
- Sempre de você, Peste! - Ele a puxou e deu um beijo no rosto dela. - Agora vamos atualizar o Rossi sobre as nossas aventuras.
- Ai, meu Deus, nem sei se eu quero ouvir. - Eu revirei os olhos e o Matheus riu.
- Relaxa e aproveita, vai ser diverido. - Ele garantiu e começou a me contar sobre todas as pequenas armadilhas que montou para a Carmem desde que ela foi para o hospital, culminando na busca pelo outro volume do diário da Cora.
- Me custa a acreditar que vocês fizeram essas coisa! - Eu abaixei o rosto nas mãos para esconder o meu o meu sorriso, porque não adiantava negar, tinha sido divertido. - Acho que vocês são adolescentes de treze anos. Exceto por hackear o celular da Carmem, isso é criminoso, Matheus!
- Não é criminoso porque estamos usando isso para defender você e a Evita. A concubina do demo se aliou ao Leãozinho, Rossi! Tem idéia disso? Aqueles dois se juntaram para separar você e a Eva. - O Matheus tentou usar essa desculpa em sua defesa.
- É, mas vocês têm mais inimigos do que nós previmos. Nós focamos tanto da cobra de botox que esquecemos do resto. - A Gabriele lamentou.
- Ah, mas o resto eu já estou resolvendo, Gabi. Isso não vai ficar assim. - Eu garanti. - E afinal, o que aconteceu com o Leon?
- Então, ele foi levado para a delegacia e passou o dia inteiro tentando explicar para o delegado que não era um maníaco perseguidor e o que estava fazendo ali em frente aquela casa, ele insistiu que estava esperando a Cora, mas ninguém sabe quem é Cora. Um dia inteirinho na grade como um stalker e antes de sair ainda foi avisado que se for visto na região outra vez será preso e não vai se safar tão facilmente. Mas isso foi só um favorzinho que um conhecido fez pra mim. Foi muito divertido dar um susto naquele moleque. - O Matheus riu.
- Mas depois que saiu da delegacia ele deixou uma mensagem bem agressiva para a cobra de botox. - A Gabriele contou e o Matheus me fez ouvir o áudio do Leon, que continha uma quantidade chocante de ofensas e ameaças.
Nós passamos a manhã inteira ali conversando e a cada coisa que eles contavam ou me mostravam naquele telefone eu ficava mais surpreso. Havia uma quantidade absurda de fotos minhas, tiradas enquanto eu estava dormindo ou em momentos em que eu nem notava a presença da Carmem. Aquela mulher era perturbada, não tinha outra explicação.
- E agora, o que nós vamos fazer? - O Matheus perguntou depois do almoço. - Vamos destruir uma poltrona?
- Você acha mesmo que o diário vai estar naquele negócio? - Eu o encarei.
- Tenho essa sensação. - Ele confirmou.
- Tá, me dá só um minuto. Eu só vou tomar uma providência antes. - Eu tirei o meu celular do bolso e liguei para o advogado.
- José Miguel, como você está? - O Dr. Romeu me atendeu prontamente.
- Com saudade dela, Romeu. - Eu confessei e suspirei. - Olha, preciso que você providencie algo pra mim.
O Matheus tinha uma lareira externa no jardim. Era um lugar muito agradável, com sofás confortáveis em volta e nós já passamos muitas noites ali com o fogo acesso. Então nós levamos os restos da poltrona para lá, jogamos tudo dentro e eu risquei o fósforo. As chamas rapidamente ficaram altas e aquela coisa foi sendo queimada, inteiramente destruída, até que virou pó. A satisfação que cresceu dentro de mim com aquilo foi indescritível.
- E agora, vamos ler essa porcaria? - O Matheus perguntou ansioso.
E eu comecei a rir em concordância. Depois de tomar um banho nós nos reunimos na sala, com a Gabriele segurando o diário, sentada entre nós, nós começamos aquela nada agradável leitura. Tudo o que havia ali era perturbador demais. O diário começou no final da adolescência e a Cora já aprontava mais do que era imaginável, de caso com homens casados até maldades que custavam acidentes que machucavam as pessoas, ela fazia de tudo.
Nós fomos até a metade do diário e decidimos parar e descansar. Era tudo muito pesado, havia sempre uma armação, uma maldade, a descrição do quanto ela era egoísta, cruel e manipuladora. No domingo à tarde nós nos sentamos de novo para ler e o que estava ali seguia cada vez mais indigesto. Porém a nossa leitura foi interrompida pelo celular do Matheus.
- Preciso atender isso. - Ele declarou ao olhar a tela e saiu da sala.
- Como uma pessoa pode ser assim, Gabi? - Eu comentei totalmente chocado pela personalidade doente da Cora.
- Ah, Rossi, tem muita maldade no mundo, mas nós só nos surpreendemos quando ela chega perto da gente. - A Gabriele deu de ombros e nós ficamos ali conversando sobre isso até o Matheus voltar para a sala.
- Rossi, ele vai trazê-la de volta! - O Matheus declarou eufórico.
- Acho que eu não entendi! - Eu murmurei, mas só tinha uma pessoa que me importava que voltasse.
- Era o Elias, a vizinha entregou o meu cartão pra ele. Ele não vai explicar nada para a Eva, porque ele acha que isso é obrigação sua, mas ele vai trazê-la de volta. - O Matheus tinha um grande sorriso.
- Quando? - Eu senti meus olhos arderem com a emoção.
- Isso eu não sei, porque ele precisa convencê-la, mas ele disse que assim que conseguir me avisa!
Estava ali, o fio de esperança ao qual eu me agarrava e quando ela voltasse eu me agarraria completamente a ela e não a deixaria fugir de novo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...