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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 170

"José Miguel"

Eu cheguei ao cemitério de mãos dadas com a Eva. Parecia ter se passado muito tempo desde a última vez em que estive ali, muita coisa havia mudado. Além do mais, na minha última visita a este túmulo, eu ainda estava me afogando em dor e culpa. Agora eu estava ali pela última vez, apoiado pela mulher que iluminou os meus dias, depois de ter descoberto todas as armadilhas que a Cora me preparou. Ou quase todas.

- Nossa, isso aqui é tão triste! - A Eva exalou uma respiração pesada. - Quer dizer, eu sei que é um cemitério, mas deveria ser um lugar de paz e não um culto a dor. Esses anjos estão chorando. - Ela olhou para a escultura com uma expressão de choque.

- Foi escolha da Carmem. Mas eu sempre achei que foi uma escolha para me lembrar da minha dor, propositalmente perturbador. - Eu expliquei.

- Cada vez mais eu detesto a cobra de aplique! Aliás, qual é a do aplique? - A Eva perguntou com genuína curiosidade e me fez rir.

- Eu não faço idéia. - Eu respondi dando de ombros.

- Ah, vocês já chegaram. - O Dr. Romeu apareceu acompanhado dos funcionários do cemitério.

Nós começamos a conversar, estávamos esperando a Carmem e o Matheus ainda. Eu estava apostando que a Carmem ia fazer um escândalo, não só por causa do que estávamos fazendo ali, mas também por cauda da Eva e do Matheus. E eu não estava errado.

- Mas o que é isso? - A Camem bradou ao se aproximar atrás de nós. - Você resolveu cuspir no túmulo da sua mulher e dos seus filhos, José Miguel?

Eu me virei e vi a Carmem se aproximando com o rosto tingido do vermelho, quase esmagando o buquê de lírios brancos que trazia nas mãos e a Berta vinha atrás dela tentando segurar o sorriso.

- Eu resolvi deixar o luto, Carmem. Ele não combina mais comigo. Além do mais, eu já chorei muito pela minha perda e sustentei uma culpa que eu não tive. - Eu respondi e ela me encarou em choque.

- Mas que absurdo! - A Carmem gritou e apontou para a Eva. - Tudo culpa da messalina de Gomorra! Você não percebe José Miguel? Não vê o que essa mulher vulgar e interesseira está fazendo? Ela está virando a sua cabeça, fazendo você se afundar ainda mais, fazendo com que você esqueça das promessas que fez para a sua esposa enquanto ela agonizava.

- Minha esposa. - Eu dei um sorriso frio. - Carmem, eu até me casei com a Cora, mas eu nunca a amei. Já a Eva, ela é outra coisa, ela sim eu amo. E quanto as promessas, Carmem, feitas a uma pessoa no momento da morte, sendo pressionado por você, pela situação, pela Cora morrendo e pelo choque do acidente, eu entendi que aquilo não foi uma promessa, aquilo foi um gesto de humanidade, foi um ato sincero da minha parte para dar a sua filha paz de espírito. Mas se o espírito dela não encontrou paz, Carmem, a culpa não é minha.

- José Miguel! - A Carmem me olhou em choque. - Como você pode dizer essas coisas? Ah, mas eu já posso ver o resultado disso. Não vai demorar para que você se dê conta do erro que está cometendo e volte correndo chorando, arrependido, implorando a minha ajuda para aliviar o seu coração e a sua culpa. Porque a culpa desses pobres inocentes estarem enterrados aí é sua, José Miguel! Porque você matou a sua mulher e os seus filhos e isso não tem perdão de Deus!

E foi nesse momento que o Matheus chegou com a Gabriele. Ele estava vestindo um jeans claro e uma camisa azul, com um sorriso cheio de diversão no rosto e eu podia apostar que por baixo dos óculos escuros os olhos dele brilhassem vitoriosos. A Gabriele não estava diferente, sorriso aberto, um vestido amarelo sol e os dedos entrelaçados nos do Matheus. A imagem deles gritava que estavam felizes. E quando se aproximaram eu percebi a outra mão do Matheus segurando a alça de uma caixa de som que explodia com as notas de "Highway to hell", como ele havia prometido.

- Dia lindo para o demônio voltar para o inferno, não acham?! - O Matheus comentou com evidente satisfação e a Carmem soltou um rugido de fúria.

- Ai, ela não se cansa! - A Eva bufou ao meu lado. - Cobra de aplique, nos poupe do seu drama barato, a terapia do José Miguel está em dia e ele não cai mais nas suas chanteagens emocionais.

- Não se mete, prostituta de gomorra! - A Carmem deu um passo em direção a Eva e eu entrei na frente dela.

- Fica longe dela! - Minha voz saiu baixa, mas soou ameaçadora o suficiente para a Carmem para e me encarar perplexa.

- Você não percebe? É tudo culpa dela. Desde que ela apareceu você está assim, sem controle, comentendo erro após erro, falhando com a sua famíliam deixcando de honrar com o seu compromisso. - A Carmem falou com a voz lamuriosa.

- Chega, Carmem! Nós estamos aqui hoje por um único motivo. Hoje eu vou deixar a Cora e os bebês descansarem. E eu só mandei você vir, porque é sua filha e você até tem o direito de saber onde ir para chorar por ela. - Eu avisei com a voz sem nenhuma emoção.

- O que você está dizendo? O que você vai fazer? - A Carmem murmurou e eu me virei.

- Podemos começar. - Eu dei a ordem para os funcionários do cemitério que começaram a trabalhar. Quando o primeiro anjo foi retirado a Carmem pareceu sair do torpor e correu para o túmulo, se lançando contra ele e impedindo o trabalho.

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